Onofre Ribeiro
Em Mato Grosso a folha de salários dos servidores públicos era de R$ 5,5 bilhões em 2014 e passou pra R$ 7,7 bilhões em dezembro de 2017. Aumento de 40%. É muito com a economia em decadência. No início do ano legislativo de 2018 o próprio governador Pedro Taques revelou em discurso na Assembléia Legislativa de Mato Grosso que de cada R$ 100 arrecadados, somente R$ 1,86 sobram pra investir. Os R$ 89,14 são gastos com o próprio Estado. Pagam salários, custeio e dívidas. Traduzindo: o Estado consome a economia estadual com ele mesmo e não devolve os serviços essenciais para os quais deveriam servir os impostos arrecadados.
No conjunto desse problemão há muita coisa que precisa mudar. É o tema deste artigo. Desde a malfadada Constituição de 1988 o Estado inchou de maneira desumana. Primeiro, pelos próprio sistema constitucional. Depois pelos desvirtuamentos eleitorais sucessivos, entre eles as malditas coligações partidárias. Elas mataram os partidos e criaram grupos de poder que hoje vampirizam o Estado em seu benefício e em benefício dos seus negócios. Desse modo, o Estado brasileiro se prostituiu ao limite.
Acabaram os limites entre o público, o privado e o institucional. Acabou-se o senso de ética nas relações do Estado entre si e dele com a sociedade que o mantém. Este é o quadro doloroso.
Que Estado nacional e subnacional o cidadão quer a partir de 2019? Primeiro, enxugar a estrutura do Estado e revalorizar os quadros do funcionamento. Dessindicalizar a estrutura e profissionalizar o espírito de quem executa, dirige e cumpre a burocracia estatal. Reduzir o corporativismo mediante medidas duras de enquadramento às responsabilidades profissionais. Afastar definitivamente os partidos políticos da gestão pública pra acabar com a prostituição eleitoral, financeira e administrativa.
Reduzir custos mediante a terceirização da maioria dos serviços que hoje custam muito caro ao contribuinte com respostas medíocres.
Tem muito mais. Mas o cidadão e eleitor já se conscientizou que não pode mais trabalhar cinco meses do ano pra sustentar com impostos estruturas públicas ineficientes e incapazes de produzir resultados minimamente aceitáveis. Intolerável!
É claro que isso não vai se resolver nas eleições de 2018 e nem nos mandatos de 2019 a 2022. Será um tempo de caos. Varrer todas as sujeiras acumuladas debaixo dos tapetes do Estado levará gerações. Mas sem o caos nunca saírem da inércia maluca de hoje. Caos não é desordem. É a falta de uma ordem. Hoje estamos na desordem. O caos é promissor.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Recursos: MP destaca que STJ ajusta penas em casos graves
Prazo para recurso da avaliação de títulos do CNU termina hoje
Taxação da carne bovina brasileira pela China
PM desmantela esquema de furto de diesel no Estado
Cibersegurança municipal: o risco invisível que já bate à porta
Wellington defende derrubada de veto à regularização na faixa de fronteira
TJ: entidade filantrópica pode ingressar ação no foro de seu domicílio
Brasil institui o Mês Nacional das Olimpíadas Científicas e do Conhecimento
PC deflagra operação contra furto de defensivos agrícolas
Justiça condena concessionária por morte causada por animal