Política
09 Nov 2017 16:36

MPE instaura inquérito para investigar suposto ato de improbidade do Governo

MPE instaura inquérito para investigar suposto ato de improbidade do Governo

Em processo conduzido pelo promotor de Justiça Clóvis de Almeida Júnior, que atua em defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa, o Ministério Público Estadual (MPE) instaurou na quarta-feira (8) inquérito civil e diligências investigatórias preliminares para investigar suposta improbidade administrativa cometida pela gestão Pedro Taques (PSDB).

A denúncia que originou inquérito foi encaminhada ao MPE pelos deputados Janaina Riva (PMDB) e Zeca Viana (PDT) e está fundamentada em documentos que acusam uso indevido da máquina pública, por meio do Gabinete de Comunicação, para promoção pessoal e política do governador visando um possível projeto de reeleição ao Poder Executivo em 2018, ferindo o princípio constitucional da pessoalidade.

Outro ponto de fundamentação da denúncia se atém aos gastos com publicidade que, segundo a denúncia, extrapolou entre os meses de janeiro e julho 34% do valor previsto para ser gasto durante o ano todo de 2017. O valor total de gastos previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) para o Gabinete de Comunicação incluindo gastos com pessoal e encargos sociais para 2017 é de R$ 48.389.686,95.

Desse total, R$ 38.904.062,62, seriam exclusivamente despendidos ao longo de todo o ano de 2017 para gastos com serviços de publicidade e propaganda institucioanal. Porém, em sete meses o Governo do estado teria extrapolado em mais R$ 13 milhões em gastos com publicidade e propaganda.

"Tendo em vista o total gasto pelo Governo Estadual com mídia no ano de 2016, a Lei Orçamentária Anual para 2017 (Lei nº 10.515/2017) reservou R$ 38.904.062,62, verba essa que seria despendida ao longo de todo o ano de 2017 para gastos com serviços de publicidade e propaganda institucional. Contudo, em consulta ao sistema da Secretaria de Estado de Planejamento –SEPLAN verificou-se que as despesas liquidadas pelo Gabinete de Comunicação no ano de 2017 – apenas no período entre 1º de janeiro e 31 de julho – já superou R$ 51 milhões de reais", consta da denúncia.

Segundo os autores da denúncia, "a investigação se faz necessária justamente porquê ao analisarem o material publicitário divulgado pelo atual Governo, fica claro que os exorbitantes gastos realizados não correspondem à propaganda institucional do Estado – legalmente prevista e para a qual a Lei Orçamentária dedica parte da verba disponibilizada para o Gabinete de Comunicação".

"O que se tem verificado é que o governador tem utilizado dinheiro público da Comunicação tão somente para autopromoção de sua imagem enquanto político, em claro desvio de finalidade do erário estadual. Anexamos como prova na denúncia, o conteúdo de uma entrevista que ele concedeu para uma cadeia de mais de 80 rádios e mídias sociais, no dia 25 de Janeiro. Neste caso é notória a inversão do propósito previamente anunciado, que trataria de assuntos de cunho informativo, educativo e/ou inerentes ao exercício da função. O que se ouviu foi típica propaganda eleitoral, críticas a gestões anteriores, além de acusações políticas, o que configura, ato de improbidade administrativa pelo o uso do cargo de Governador e da máquina pública para finalidades estritamente pessoais", explicam.

Para a deputada Janaina Riva, num momento em que se fala em dificuldade financeira na administração pública estadual para pagar servidores, para fazer os repasses da saúde, o duodécimo dos Poderes, bem como repassar aos municípios a parte deles com relação ao FETHAB e ao ICMS, aumentar os gastos com publicidade é no mínimo um paradoxo.

Zeca Viana diz que por todos os motivos elencados na denúncia eles requereram ao Ministério Público a adoção das medidas necessárias para investigar os fatos, inclusive com a propositura de Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa, de modo a responsabilizar Taques por eventuais irregularidades praticadas em detrimento do erário estadual.

"Pedimos que a representação seja encaminhada ao Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa da Capital, para que sejam tomadas as providências indispensáveis a apuração e esclarecimento dessas fatos absurdos descritos", finaliza Zeca. (Com assessoria)

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