Onofre Ribeiro
Julgo oportuno continuar tratando deste tema porque ele foi determinante para que Mato Grosso chegasse ao estágio atual de desenvolvimento e de grande produtor de grãos, madeira e carnes. Nesse aniversário comemorado no último dia 11, dei muitas entrevistas a respeito. Lembrando que de 1976 a 1979, trabalhei na área de comunicação do Governo de Mato Grosso. Vivi a intimidade de toda a confusão política, social, econômica e cultural que foi tudo aquilo. E depois como jornalista militante desde então. Impressionou-me a absoluta falta de informações a respeito. É como se fosse um fato da História irrelevante acontecido há 100 anos.
Quero destacar aqui um fato fora da natureza econômica ou política da separação. No ano de 2000 o governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, esteve em Cuiabá. Jantou na residência oficial do governador Dante de Oliveira. Num certo momento a discussão caminhou para a comparação entre os dois estados após a separação. Mato Grosso evoluiu e Mato Grosso do Sul estava estagnado. Foi do próprio Zeca a explicação: “vocês aqui assimilaram os todos os migrantes que chegaram e os incorporaram à cultura de vocês, permitindo-lhes crescer e produzir. Nós lá em Mato Grosso do Sul sempre consideramos os migrantes como ´gente de fora”.
De fato, quando as migrações se multiplicaram, a partir de 1973, os cuiabanos tradicionais não fecharam as portas na sua cara. Deram-lhes o apelido de “paus rodados”, mas deixaram o barco correr. Logo começaram dois fenômenos sociais e culturais: 1 – os filhos de migrantes que subiram para o interior vieram para capital estudar. Aqui interagiram, casaram, ficaram. 1 – Os casamentos aconteceram inevitavelmente.
Surgiu uma figura muito interessante bem definida pelo ex-delegado regional do IBGE em Mato Grosso, Prof. Nelson Pinheiro. No primeiro censo pós-divisão, em 1980, perguntei-lhe: “que tipo de mato-grossense os Sr. espera encontrar no censo?”. Ele respondeu: “Um bugre de olhos azuis”. Nunca mais me esqueci.
A rigor, se éramos 1 milhão 139 mil em 1980 e somos 3 milhões 244 mil em 2017, é de se crer que a diferença sejam os “bugres de olhos azuis”.
A composição social, cultural gerou a composição política e econômica atual. Mas o assunto ainda vai continuar. Penso que alguns retoques são necessários a quem ouviu ou a quem nunca ouviu falar desse tema.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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