Lourembergue Alves
Está sendo construído o cenário das eleições de 2018. Ainda resta muita coisa para concluí-lo. Conclusão que passa, sem dúvida, pelos resultados das investigações provocadas pelas delações premiadas. Delações que trazem a luz uma relação promíscua entre governos/Estado e um grupo de empresários (pagadores de propinas), com o também protagonismo de agentes políticos e públicos. O que faz distanciar do jogo político-eleitoral uma parcela significativa da população. Atitude (o desta parcela populacional) equivocada, pois favorece tão somente a quem se vale dos meios ilegais e imorais para sua continuação no poder. E isto não é de hoje. Vem de muito antes da Lava-Jato, e até anteriormente do instante em que se ergueu o Estado brasileiro, deixando pegadas indeléveis em cada uma de suas unidades. Mato Grosso, portanto, não seria exceção. Não neste aspecto. Nem deveria sê-lo, uma vez que aqui, assim como em outras plagas, se tem igualmente as marcas da corrupção.
Tanto que só no esquema revelado pelo ex-governador Silval Barbosa, a sangria provocou desarranjo ao tesouro estadual, e, a partir deste, atingiu frontalmente a camada populacional que mais carece da assistência estatal. Situação que se agrava com a ineficiência e a falta de planejamento do governo Pedro Taques, o qual não é cobrado como deveria pela Assembleia Legislativa, cujo desempenho é pífio. E isto não tem nada a ver com o estágio depressivo que abateu sobre os deputados estaduais flagrados pela câmera do ex-chefe da Casa Civil, e aparecem na lista de delatados pelo ex-governador-peemedebista.
Lista que pode, sem dúvida, ser aumentada sobremaneira com a suposta delação do José Riva. Pois o chamado mensalinho ou merenda estendeu-se por várias legislaturas, embora negada por vários que ocuparam cadeiras no Parlamento regional nas décadas de 1980 e 1990. Poucas vezes a tão falada merenda esteve sozinha. Foi acompanhada, depois de certo tempo, pelas propinas. Estas serviram para engordar os rendimentos dos chamados representantes do povo. A delação do ex-governador fala igualmente disso. Bem mais falará a do ex-deputado Riva, até em razão do seu autor ter ficado mais tempo no comando do Legislativo, e ser colocado como um dos principais costuradores de negociatas entre os governos e o Legislativo. O “S” a mais no termo governo não foi um erro de digitação. Significa o plural de gestões, culminando com a administração do Silval Barbosa, cuja propina arrecadada também foi parar nas algibeiras de cinco dos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado. A delação é muito clara neste sentido. Fala, por outro lado, em lavagem de dinheiro, com compras de garimpos, fazendas e apartamentos.
Daí a necessidade que a Justiça seja mais célere, sem perder de vista o cuidado com o direito do contraditório, com o direito das defesas. Embora se saiba que politicamente, os envolvidos nas denúncias do ex-governador já sofrem fortes desgastes, dificultando-lhes – claro – suas tentativas de conquista e/ou manutenção de cargos eletivos. Daí a fuga de alguns deles dos eventos populares, bem como das perguntas jornalísticas não combinadas, e da insistência quase desesperada de um ou outro em dar a sua versão sobre os “fatos”, sem esquecer a tática de desqualificação da pessoa do delator, numa tentativa de desviar a atenção da opinião pública das muitas verdades das denúncias do ex-governador. Afinal, estão em jogo os cargos de 2018. É isto.
Lourembergue Alves é professor e analista político.
E-mail: lou.alves@uol.com.br.

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