O movimento por resgate da ética no Estado, lançado nesta semana na liderança da OAB Seccional Mato Grosso e que conta com apoio da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), representada pelo presidente José Arimatéa Neves Costa, deve promover ato cívico programado para o dia 26 deste mês.
Ao participar do evento de lançamento do movimento, na sede da Ordem com integração de pelo menos 40 entidades do Estado, o presidente da Amam disse que "manter o debate ativo sobre o combate à corrupção por meio de iniciativas como esta, é primordial. Contudo, é preciso que a população se atente à seriedade dos fatos ligados ao tema".
No encontro, teve início uma mobilização social de combate aos contínuos atos praticados contra o patrimônio público no Estado – como os oriundos da delação premiada do ex-governador Silval Barbosa. “Em momentos como este, de crise moral e ética, critica-se muito o sistema de controle [o TCE, o MPE e a AGE, entre outros], mas é preciso lembrar que, por exemplo, a operação conhecida como ‘Lava Jato’ começou por um acaso. Era uma investigação de lavagem de dinheiro em uma ‘casinha’ de câmbio, em um posto de combustível, em Londrina. Aí, descobre-se bilhões. Senão, trilhões. Não podemos viver de descobrir coisas de forma acidental”, pondera.
O presidente da Amam complementa que é necessário questionar se os sistemas de controle são poucos ou ineficientes e precisam ser repensados. “Neste ponto, não podemos apenas culpar os controles em si. Talvez, seja preciso reformular a forma de atuação deles. Infelizmente, a sociedade parece que só aborda – ou tende a questionar – essas questões quando atinge o limite. O fundo do poço. Mas, o Brasil tem muitos poços e no fundo deles têm ainda um alçapão”, ressalta.
Pensamento reiterado pelo presidente da OAB-MT, Leonardo Campos, que destaca que é necessário trabalhar a prevenção. "Precisamos de uma gestão preventiva e eficaz dos órgãos de controle e fiscalização, inclusive com estruturação desses órgãos. Ora, não é possível revelar que os cofres públicos foram lesados em quase R$ 1 bilhão e os órgãos de controle não conseguiram detectar isso em tempo oportuno. Nós estamos enxugando o gelo com ocorrido", enfatiza.
Para o promotor de Justiça Roberto Turin, presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP), o que se pode observar neste viés do combate à corrupção é uma sociedade reagindo em espasmos – estes que, por vezes, não têm continuidade.
“Vivemos num momento de torpor, após tantos acontecimentos. Além de cobrar a punição e responsabilização [penal, civil e administrativamente] dos atores envolvidos nos casos de corrupção, também precisamos cobrar que tipo de sociedade nós temos e que tipo de sociedade queremos ter e manter. Não podemos reagir por espasmos, que um dia vem a morrer. Nem permanecer numa situação de dormência acreditando que não há mais o que se fazer”, indaga.
Além de membros da Amam, da OAB-MT e da AMMP, o encontro também contou com representantes de setores sociais: conselhos de classe e sindicatos de trabalhadores de diversas categorias; sindicatos patronais de comércio, indústria, serviços e rural; federações; organizações não-governamentais; associações de servidores e de membros das polícias Civil e Militar; e movimentos sociais. (Com assessoria)

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