Onofre Ribeiro
Diante da sucessão de revelações nas delações já divulgadas do ex-governador Silval Barbosa e diante da sucessão de outras que virão após as dele, enxergo o fim do mundo pra nossa velha e apodrecida política. Gostaria de discorrer um pouco pra facilitar a compreensão dessa loucura em que se transformou a política brasileira.
O período militar de 1964 1985 não foi marcado pela corrupção, mas por transformações na visão da política tradicional que vigorava até então, vinda depois de 1945. Do fim da ditadura Vargas, ou Estado Novo. Uma ideologia nacionalista nova, advinda da Constituição de 1946 e novas lideranças políticas que talvez fossem capazes de construir um projeto de nação. Eram lideranças nascidas dentro das escolas e das universidades. A Constituição ajudava. Foi talvez o melhor momento da política brasileira! Mas a eleição e a renúncia do presidente Jânio Quadros em 1961 mexeu em tudo e derrubou essa sequência.
Veio o vice João Goulart, com ligações à esquerda que incomodavam os militares desde a Intentona Comunista de 1935, uma tentativa de golpe contra o governo dito revolucionário de Getúlio Vargas. A bronca dos militares brasileiros com o comunismo nasceu ali e dura até hoje. João Goulart construiu uma convivência de confronto com as ideologias militares e acabou derrubado num golpe em 1964. O regime duraria pelos próximos 21 anos.
Em 1985 acabou o regime militar e elegeu-se o presidente Tancredo Neves, um hábil arquiteto político da velha política mineira do pós-1946. O Brasil poderia ter dado certo a partir dali. Mas sua morte antes da posse pôs no poder José Sarney, um antiquado coronel nordestino. Dele em diante o Brasil construiria uma Constituição Federal tipo colcha de retalhos. Fala de tudo, mete o dedo em tudo. Intromete em tudo. Não resolve nada. Fatiou a resolução do Estado em fatias corporativas. Deu a impressão de servir a uma nação, mas serve apenas às corporações propositalmente construídas pelos pobres constituintes de 1987/1988.
Quando em Mato Grosso um simples ex-governador delata a fragilidade do sistema político do papel do Estado, vê-se que na ponta, lá na província distante, a desordem tomou conta da política.
EM TEMPO:
Sobre o artigo “Feira do Paraguai”, publicado neste espaço, recebe um gentil e-mail da Cônsul Honorária da Paraguai em Cuiabá, Sra. Angela Maria Fernandez, repudiando a generalização pejorativa que o título artigo trouxe ao Paraguai como país. Respondi-lhe desculpando-me pela má colocação e reiterei os meus respeitos pelo Paraguai, país que tanto admiro e respeito. Ela registrou o grande desenvolvimento que o seu país vem experimentando e a qualidade da sua economia e produtos.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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