Onofre Ribeiro
O deputado Eduardo Botelho elegeu-se presidente da Assembléia Legislativa no início deste ano e vem ocupando espaços crescentes muito rapidamente. Na história recente da Casa, é preciso voltar lá na década de 1980 pra encontrar presidentes de personalidade política forte. Mas é preciso registrar a crescente perda de conteúdo político da Assembleia nos últimos 30 anos. Parlamentares mais paroquiais e menos estadistas ou regionalistas de fato.
Botelho tem personalidade forte e centralizadora. Predador explícito assumiu a Assembléia Legislativa fraquíssima e toma conta da capitania rapidamente. O início de sua trajetória lembra muito a do ex-deputado José Riva. Vindo da pequena Juara na eleição de 1994, chegou a uma Assembléia fraca. Elegeu-se primeiro-secretário sem projeto e aparentemente sem horizontes, na gestão do presidente Gilmar Fabris. Completamente desvairado, Fabris deixou pra Riva tocar a Casa. Na eleição seguinte elegeu-se presidente e desde então ou foi primeiro secretário, ou foi presidente de 1995 a 2014.
Mandou no Legislativo e governou junto com todos os governadores do período. Começou por um descuido do ex-governador Dante de Oliveira. Tendo negociado as dívidas com a União e feito a reforma fiscal do Estado, Dante não tinha dinheiro pra repassar às prefeituras. Político de DNA, Dante negociou com Riva e Humberto Bosaipo, repassar pequenos valores que esses repassariam aos prefeitos pra não deixá-los de chapéu na mão. Ambos seguiram a cartilha e abriram um crescente negócio municipalista que gerou o poder paralelo da Casa nos governos seguinte de Dante, de Blairo Maggi e de Silval Barbosa. No governo Silval, Riva governou com força total.
Nos dois primeiros anos, inexperiente, o governo Pedro Taques patinou muito por falta de articulação política. Em 2016 a luta pela RGA dos servidores públicos feriu-o perto do coração. Em 2017 o deputado Eduardo Botelho antecipou o assunto na Assembléia e preveniu a crise. Ganhou muito poder. De lá pra cá vem ganhando espaços diariamente na política e no governo. Pela autoridade de mando político, ou por negociação. Bem ao estilo Riva há 25 anos atrás. A tal ponto que tem dito na intimidade que arriscaria candidatura ao Senado ou ao governo em 2018. Chegou ontem na política!
O atual vácuo de lideranças parece muito semelhante ao vácuo de 1995. Esse tipo de liderança de oportunidade pode ser muito arriscado, porque precisará da autoridade do braço forte pra construir e manter os seus projetos, como passado recente. Repetir a História, diz a filosofia, é sempre uma farsa....
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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