Onofre Ribeiro
Em política a lei da ação e da reação tem efeitos imediatos. Talvez pelo fato de localizar-se nas esferas sociais, a política gera rapidez. Há dois meses o Partido Socialista Brasileiro – PSB ganhou espaços na mídia quando o presidente nacional do partido destituiu a direção do diretório regional em Mato Grosso e nomeou o deputado federal Valtenir Pereira pra dirigi-lo. Foi um gesto unilateral. Mexeu com quadros já consolidados dentro do partido.
Houve um vai-e-vem momentâneo incluindo a retomada da posição na justiça estadual. Derrubada depois na justiça federal. O partido viaja agora em situações muito duvidosas. O presidente Valtenir Pereira vai dirigir uma pequena capitania hereditária. Tem poucas benfeitorias e um título. No caso um partido político. Mesmo que os partidos sejam vistos pela sociedade como grupos organizados de poder sem legitimidade, ainda assim tem muito poder de barganha. Na alegria e na dor.
O grupo de deputados que ainda permanece no partido tende a se dividir. Haverá quem fique sob ordens. E quem sairá. Os que saírem estão mirando acenos do DEM, conduzidos pelos seus dirigentes históricos: Júlio e Jaime Campos. Enfraquecido nos últimos anos, o DEM tem uma história forte que vem desde os tempos da ARENA, na década de 1970, com Júlio, Jaime e Jonas Pinheiro no comando. Sem Jonas ficaram dois. Na última eleição ambos deixaram os seus mandatos. Agora precisam retomar o poder dentro da política estadual. Os emigrantes do PSB caem como uma luva.
Principalmente o ex-prefeito Mauro Mendes, desafeto de Valtenir Pereira. Com ele, o DEM viabiliza o Senado e o governo do estado. De outro lado, Mauro fica livre pra apoiar ou não o governador Pedro Taques. Nesta semana encontro político escancarou todas as janelas possíveis pra Mauro dentro do DEM. Ganham todos. Valtenir terá que conduzir o PSB obedecendo orientação nacional de se encaminhar pra oposição a Pedro Taques, também mirando na sua inviabilização e no caminho pra uma composição. Obviamente, dirigida por Valtenir.
Pode-se dizer que, na prática, o DEM se transformará num novo grupo político estadual caso Mauro Mendes e alguns egressos do PSB, como Fábio Garcia, se filiem. O grupo que mais perde força nesse caso seria o do governador Pedro Taques que conduz o governo numa hora ruim. A rigor, porém, ninguém tem respostas pra 2018. O céu continua escuro com possibilidade raios e trovões pra todos. Mas a política não é uma ciência exata e aposta em sinais. Mesmo que eles, nem sempre, indiquem a melhor direção.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Volta às aulas e material escolar: Procon-MT alerta sobre direitos
TJ alerta: CNH definitiva só pode ser cassada após processo
Código de defesa do contribuinte ou do fisco?
Tribunal de Justiça: cancelamento de hospedagem gera indenização
Golpe do falso advogado: TJ barra descontos de empréstimo
Operação apreende mais de 540 kg de cocaína na fronteira
PC prende acusado de série de crimes contra motoristas de aplicativos
Ministro anuncia renovações automáticas de CNH para bons motoristas
Estudo aponta aumento de preço da cesta básica: mais de R$ 800
Operação da PM derruba tráfico de drogas em Várzea Grande