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20 Oct 2026 09:22

O que esperar do dia 25?

O que esperar do dia 25?
Onofre Ribeiro 1 Crédito: Reprodução

Será o dia da votação no segundo turno nas eleições presidenciais brasileiras de 2026. Esta será uma eleição tão emblemática quanto foi a de 1998. Foi quando surgiu um dos grandes males da redemocratização: a polarização entre PTxPSDB. O candidato Lula, do PT, disputou a presidência contra o presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. FHC venceu, Era a esquerda contra a centro-esquerda. Na verdade, eram face iguais da mesma moeda. O PSDB era tão esquerda quanto o PT. Só diferença de rótulos.

Na eleição de 2002, o mesmo Lula disputou contra José Serra, do PSDB, com apoio velado do presidente FHC ao candidato do PT. Velhas alianças e simpatias mútuas. Venceu Lula. Nasceu ali a polarização PTxPSDB que prosseguiu na reeleição de Lula em 2006, de Dilma Rousseff em 2010 e em 2014. Em 2014 pareceu o fim da polarização com o impeachment de Dilma em 2016. Em 2018 a polarização foi bem reduzida entre Fernando Haddad do PT contra Jair Bolsonaro do PSL. Nascia ali uma das polarizações mais violentas da história do Brasil. Continua forte nesta eleição em 2026.

Na verdade, a polarização só favorece os partidos e os grupos políticos envolvidos. A população só perde tempo e energia com a disputa. Esta eleição de 2026 deve marcar o fim das polarizações e a racionalidade deverá voltar nas próximas eleições presidenciais de 2030.

Outro ponto, será a atuação de qualquer um dos eleitos. Se for Lula, continuará a expansão do Estado, o aumento dos gastos públicos e a inevitável e incalculável crise nas contas públicas. O crescimento do déficit público. Lula vem anunciando abertamente que o desenvolvimento só vem com os investimentos nas benesses do Estado. Especialmente os investimentos sociais. Mas os cofres públicos já não suportam mais o déficit, e o aumento de impostos está no limite tolerável.

Há que se considerar que a geopolítica mundial mudou muito nos últimos anos e está mudando a cada dia. O papel do Brasil é importante nesse universo. Por isso preciso rever suas posições ideológicas na diplomacia brasileira, na relação com o mundo exterior. O Brasil sempre teve uma das melhores diplomacias do mundo. Hoje está reduzida ao interesse por meia dúzia de países ideológicos afins. O Brasil está patinando diplomática e economicamente diante do mundo moderno.

Se Flávio Bolsonaro vencer, o seu discurso é o inevitável. Reduzir o tamanho do Estado, reduzir custos, diminuir a burocracia federal e normalizar os salários das castas na cúpula do governo em todos os poderes. Isso equivale a uma terceira guerra mundial porque vai ferir todos os interesses do chamado Sistema. Certamente vai gerar crise na economia e na administração pública. No Brasil cortar gastos sempre incomoda as elites.

Na segunda feira o Brasil vai amanhecer sob a hipótese de dois ares. A continuidade do Brasil atual com sinais de grandes crises de governabilidade. Ou o começo de gestão nova sobre o Estado, sobre a economia, sobre a política, sobre o combate às castas e um enorme arrocho econômico sobre as contas públicas.

Trata-se de uma data que vai gerar novos ares. O futuro do Brasil virá a partir do dia 25 de outubro. 

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

Onofreribeiro1944@gmail.com

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