• Cuiabá, 06 de Abril - 00:00:00

Heranças pra pensar

No começo deste mês fui convidado pelo Sicredi Centro Norte, de Mato Grosso, pra conhecer a nascente do cooperativismo no Brasil, no Rio Grande do Sul. Junto com um grupo de jornalistas brasileiros fui à pequena cidade de Nova Petrópolis. Foi lá em 1902 que o padre alemão Teodor Amstad começou o cooperativismo no Brasil. Alemão de nascimento e com passagem pela Inglaterra, onde estudou e conheceu as experiências de cooperativismo, migrou pro Brasil em 1885.

Gostei profundamente de conhecer as origens do cooperativismo no Brasil a partir dali, principalmente pela contextualização da história social e econômica no Sul naquele período. Imigrantes alemães chegados à região desde 1824 enfrentavam todos os problemas imagináveis, da saúde inexistente, à educação, estradas ou qualquer tipo de apoio. Herdeiros de forte cultura rural na Alemanha, os colonos sobreviviam em condições muito ruins.

Montado numa mula o padre percorreu o Rio Grande do Sul sucessivas vezes até criar as raízes de um sistema que hoje tem grande peso na economia. A pequena Nova Petrópolis, próxima de Porto Alegre, ainda guarda toda a herança bem conservada do padre Teodor Amstad. Era um desses sonhadores e idealistas movidos por forcas espirituais muito maiores do todas as forças ruins de sua época. Escola, saúde, agência cooperativa e junto a construção de uma identidade aos imigrantes alemães no Brasil.

Confesso que ao ouvir do Seo Mário, responsável pela herança do padre Amstad, emocionei-me muitas vezes. Por uma razão em especial. Gente daquela região, assim como de todo o Rio Grande do Sul que viveu por lá, migrou pra Santa Catarina e Paraná, a partir do começo do século 20, subiu depois pro Centro-Oeste. De certo modo, repetiram aqui a aventura de mais de um século antes. Abriram não mais a floresta atlântica, mas a tropical. Problemas da terra desconhecida. Do clima diferente. De novo, superaram!

Hoje o cooperativismo está consolidado. Os números do Sicredi indicam imensa vitalidade financeira e econômica. A história de Mato Grosso já saiu da fase pioneira pra uma fase de consolidação da economia produtiva. E o mesmo espírito cooperativo responde por forte participação nessa nova fase.

Hoje não vou tratar de números. A história lá do Rio Grande do Sul fala mais. Nos ensina em tempos de tantas dúvidas, que o idealismo é muito mais forte do que as adversidades. E que o homem tem uma extraordinária e enorme capacidade de criar conflitos, de resolvê-los e de seguir em frente...Isso é a História!

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br    www.onofreribeiro.com.br



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