O Grupo Bronner, com atuação em Guarantã do Norte (MT) e Novo Progresso (PA), teve o pedido de recuperação judicial no valor de R$ 41,9 milhões deferido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A medida busca viabilizar a reestruturação financeira e permitir a continuidade das atividades agropecuárias do grupo familiar, que atua nos segmentos de pecuária de corte e agricultura, com plantio de 1.200 hectares.
Segundo a decisão da juíza Giovana Pasqual de Mello, da Comarca de Sinop, a recuperação judicial visa preservar a fonte produtiva, os empregos gerados e os interesses dos credores, conforme previsto no artigo 47 da Lei de Recuperação e Falências (Lei 11.101/2005).
A crise econômico-financeira do grupo é atribuída a uma série de fatores, como o insucesso na transição de áreas de pecuária para agricultura, investimentos elevados, variações no preço da soja, inadimplência em contratos de financiamento, apreensão de maquinários durante períodos de colheita e problemas com veículos de transporte recém-adquiridos. Também pesaram perdas decorrentes de uma operação mal sucedida com ações do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (BESC) e bloqueio indevido de valores em conta bancária.
Diante disso, o grupo acumulou dívidas que comprometeram a manutenção da atividade produtiva. No despacho, a Justiça reconheceu a essencialidade de maquinários, tratores, implementos e equipamentos agrícolas para garantir a continuidade das operações. Sendo assim, os bens ficam impedidos de serem vendidos ou retirados da fazenda durante o período de execução do processo.
Ferramenta para reestruturação - A advogada responsável pelo caso, Bárbara Brunetto, destacou que a decisão reforça a possibilidade de que produtores rurais, recorram à recuperação judicial como um instrumento de renegociação das dívidas.
“A recuperação judicial é uma ferramenta fundamental para reorganizar dívidas e permitir que os negócios continuem produzindo e gerando empregos. No agronegócio, onde fatores externos como o clima e a variação de preços impactam diretamente a atividade, esse instrumento se mostra essencial para preservar a função social e manter a competitividade do setor”, afirmou a advogada.
Os problemas administrativos e financeiros que acometeram o Grupo Bronner, de acordo com Bárbara Brunetto, são comuns nas atividades ligadas ao campo e, com a ferramenta jurídica da recuperação, o que antes representava o fim dos negócios de uma família, agora passa a ter uma alternativa de continuidade de forma segura.
“Muitos produtores ainda têm receio de recorrer a esse mecanismo, mas é preciso entender que ele existe justamente para dar fôlego financeiro e permitir que o negócio tenha condições de se reerguer, especialmente nesse momento de alto custo de produção e taxa de juros elevada. Trata-se de uma alternativa legal e estratégica para atravessar períodos de crise sem encerrar atividades produtivas que são fundamentais para a economia regional”, reforçou Brunetto.
Por Laís Costa Marques/Assessoria

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