Atilla Arruda
Empresas brasileiras estão acelerando a migração completa para a nuvem, deixando para trás a infraestrutura física on-premises. Segundo a Imarc Group, empresa norte-americana de pesquisas, o mercado latino-americano de computação em nuvem alcançou US$ 46,7 bilhões em 2024, com expectativa de crescer a uma taxa média anual de 14,7% até 2033, atingindo impressionantes US$ 184 bilhões.
Outra pesquisa, divulgada pelo MIT Technology Review no fim de 2023, mostrou que mais de 80% das empresas da América Latina já utilizam tecnologias de nuvem.
O que está por trás desse movimento? Agilidade, escalabilidade e inovação contínua estão entre os principais motores dessa adoção acelerada. E algumas empresas estão indo além: eliminando completamente seus data centers físicos e migrando 100% para ambientes multicloud, em busca de um salto estratégico.
De cloud-first a cloud-only: uma evolução inevitável
Muitas empresas começaram sua jornada cloud com uma postura cloud-first, priorizando a nuvem em novos projetos. Agora, a tendência é clara: o passo seguinte é o cloud-only, com a aposentadoria gradual de toda infraestrutura física própria.
Essa mudança não é apenas uma decisão tecnológica, mas uma estratégia de negócios para aumentar competitividade, flexibilidade e velocidade de resposta ao mercado.
Empresas 100% em nuvem conseguem lançar produtos e serviços com muito mais rapidez, deixando para trás os longos processos de aquisição e instalação de hardware. Recursos de TI passam a ser disponibilizados em minutos ou horas, e a escalabilidade deixa de ser um obstáculo: a infraestrutura se expande ou retrai de forma automática, de acordo com a demanda.
Estar integralmente na nuvem também impulsiona uma cultura de inovação contínua, com acesso imediato a novas tecnologias oferecidas pelos grandes provedores, de machine learning a analytics avançado.
Multicloud: flexibilidade, resiliência e fim do vendor lock-in
Ao migrar para a nuvem, muitas empresas optam por uma abordagem multicloud, distribuindo suas cargas de trabalho entre diferentes provedores, evitando o risco do vendor lock-in. Os benefícios são claros: flexibilidade tecnológica, redução de riscos de indisponibilidade e a possibilidade de aproveitar o melhor de cada plataforma.
Uma pesquisa recente da IDC, realizada com 514 empresas latino-americanas, revelou que 66% já utilizam entre dois e cinco provedores de nuvem, e 7% chegam a trabalhar com até 10 fornecedores diferentes. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que 39% dos sistemas ainda permanecem on-premise, enquanto o restante já está distribuído entre IaaS, PaaS, colocation, hosting e SaaS.
Migrar totalmente para a nuvem traz ganhos não apenas operacionais, mas também financeiros. O modelo pay-as-you-go elimina gastos com capacidade ociosa típica de data centers superdimensionados. Segundo a MIT Technology Review e a NTT Data, 74% das empresas latino-americanas já priorizam a redução de custos via otimização da nuvem, enquanto 68% buscam maior flexibilidade operacional.
Essa nova disciplina de gestão de custos tem um nome: FinOps (Financial Operations). Trata-se de um conjunto de práticas para monitorar e otimizar investimentos em nuvem em tempo real, garantindo um TI mais eficiente e alinhado aos objetivos financeiros da empresa.
Modernizando operações e integrando a empresa inteira
Migrar para a nuvem não é apenas mover servidores. É uma oportunidade de modernizar aplicações, processos e até a cultura organizacional. Sistemas antes isolados em silos passam a se integrar via APIs e microsserviços, permitindo compartilhamento de dados em tempo real e maior inteligência de negócio. Além disso, empresas que avançam no modelo cloud-only relatam uma mudança cultural significativa: menos hierarquia, mais agilidade, mais abertura à experimentação e aprendizado contínuo.
Pesquisas apontam que 97% dessas empresas valorizam a flexibilidade organizacional como fator crítico de sucesso, enquanto 87% destacam a importância de uma mentalidade voltada à inovação constante.
Os dados e os movimentos de mercado deixam uma mensagem clara: o futuro corporativo será cada vez mais cloud-only. As empresas que abraçam essa transformação não colhem apenas benefícios tecnológicos. Elas ganham velocidade, inovação, resiliência e liberdade para focar no que realmente importa: gerar valor ao cliente.
Atilla Arruda é diretor Comercial da Solo Network.

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