Luiz Wey
O mercado brasileiro de produtos alimentícios líquidos e bebidas vive uma transformação silenciosa, porém profunda. A busca por soluções mais eficientes e ambientalmente responsáveis vem pautando decisões estratégicas em toda a cadeia — da indústria de base ao envase, da logística ao ponto de uso.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), o consumo per capita de embalagens flexíveis no Brasil cresceu 4,3% em 2024, totalizando 11 kg por habitante ao ano. Trata-se de um movimento consistente, especialmente nos segmentos de alimentos e bebidas, que responderam por 41% e 12% desse consumo, respectivamente.
Esse crescimento reflete um movimento estratégico da indústria em busca de soluções que reduzam o impacto ambiental sem comprometer a eficiência. Nesse cenário, formatos como pouches, refis e bolsas vêm ganhando espaço como substitutos diretos de embalagens rígidas tradicionais, com ganhos logísticos, menor geração de resíduos e melhor aproveitamento de recursos em todo o ciclo de vida.
Diante dessa evolução, as embalagens flexíveis deixam de ser apenas uma alternativa sustentável e passam a representar uma vantagem competitiva concreta.
Embalagens flexíveis: um diferencial competitivo
As embalagens flexíveis destacam-se, entre outros fatores, por exigirem significativamente menos matéria-prima. Uma bolsa, por exemplo, pode utilizar até 85% menos material do que uma embalagem rígida equivalente.
A economia de insumos contribui não apenas para a redução do custo do material, mas também para benefícios ambientais tais como menor consumo de energia e água, além da diminuição das emissões de carbono no processo produtivo. Por exemplo, a produção de uma lata de aço pode requerer mais de 1.600% de água em comparação a uma embalagem plástica, enquanto um balde rígido consome mais de 1.400% de combustível fóssil em relação ao seu equivalente flexível.
Esses dados demonstram como a escolha da embalagem influencia diretamente a pegada ambiental de cada operação industrial — e reforçam o papel estratégico que esse tipo de solução vem assumindo na tomada de decisão de empresas comprometidas com metas sustentáveis.
Logística otimizada
Quando analisamos a cadeia logística, a redução de peso e volume das embalagens contribui para diminuição das emissões no transporte, apoiando iniciativas de frete mais limpo e economia de combustível. Estudos mostram que transportar a mesma quantidade de unidades requer até 25 caminhões de embalagens rígidas para cada caminhão de embalagens flexíveis. Essa diferença reduz custos de frete e armazenamento e pode contribuir para metas corporativas de descarbonização, pois resulta em menor emissão de gases de efeito estufa nas operações logísticas.
Além disso, por ocuparem até 40% menos espaço em centros de distribuição e estoques, as embalagens flexíveis permitem melhor aproveitamento da infraestrutura existente, otimizando a armazenagem de volumes maiores sem demandar o aumento proporcional de área.
Redução de desperdícios em toda a cadeia
Outro aspecto central das soluções flexíveis no setor de fluidos e bebidas é sua alta taxa de aproveitamento, alcançando níveis superiores a 98%. Essa característica é especialmente relevante em contextos de alto volume e controle rígido de custos, como indústrias de alimentos e operações de food service.
Além disso, as tecnologias disponíveis atualmente, incluindo filmes barreira multicamadas ou especiais, ampliam significativamente a vida útil dos produtos ao proporcionar proteção eficaz contra oxidação, exposição à luz e contaminação cruzada. Essas embalagens apresentam também alta resistência mecânica, garantindo a preservação da integridade, segurança e estabilidade dos produtos durante processos de manuseio intensivo e logística.
Diante de tantos ganhos — materiais, energéticos e operacionais —, torna-se evidente que as embalagens flexíveis oferecem muito mais do que praticidade no consumo final. Elas redefinem seu papel estratégico em toda a cadeia de valor, alinhando-se não apenas às tendências de consumo e às exigências regulatórias, mas também a uma nova dinâmica de mercado: orientada por eficiência, circularidade e inteligência aplicada em cada etapa da jornada do produto. A embalagem deixa de ser um fim e passa a ser um meio — de diferenciação, desempenho e responsabilidade compartilhada.
Luiz Wey é diretor de novos negócios da Sealed Air.

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