O conceituado Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá – CINEMATO, estreia nesta segunda-feira (14.07), às 19h30, no Teatro da Universidade Federal Mato Grosso (UFMT), com a exibição impactante do filme “Amazonas, o Maior Rio do Mundo”, do cineasta português Silvino Santos, homenageado desta 22ª edição.
O tapete vermelho estará estendido à população conferir, na abertura, o testemunho da majestosa natureza de uma Amazônia que já não existe, em uma produção audiovisual que desapareceu por quase 50 anos, tornando-se a lenda do Cinema brasileiro. Com entrada gratuita, de 14 a 20 de julho, o Festival exibirá no Teatro 48 filmes inéditos para todas as idades. O ator Jairo Mattos, mais conhecido por diversas novelas nacionais, é júri da competitiva de longas-metragens e prestigiará a abertura com o público.
Durante a exibição do filme, os artistas Henrique Santian e Jhon Stuart apresentarão uma paisagem sonora, com instrumentos ao vivo, criada especialmente para trazer uma experiência nas paisagens sonoras e improvisos que sintetizam uma estética contemporânea e orgânica para o filme.
Também terá a performance da dançarina Nasla Brandão, com uma trilha composta por Santian, na Cerimônia de Abertura.
Com realização do Instituto INCA-Inclusão, Cidadania e Ação, patrocínio do Governo do Estado de Mato Grosso, via Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), tem parceria com a Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Vivência (Procev – UMFT), Primeiro Plano Cinema e Vídeo e Canal Brasil.
Recebe o apoio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Secretaria Municipal de Cultura, Cineclube Coxiponés -UFMT, Curso de Cinema e Audiovisual da UFMT, Rede Cineclubista de Mato Grosso (REC-MT), da Cinemateca Brasileira e da Sociedade Amigos da Cinemateca, que vão ceder parte do acervo de Silvino a ser exibido nesta edição. Bem como apoio cultural da TV Centro América, filial da Rede Globo em Mato Grosso.
PROGRAMAÇÃO
O tema do 22º CINEMATO é “Decolonizando a Amazônia” e traz 62 filmes, sendo 48 no Teatro da UFMT, com sessões infantis no Cinema Escola (terça, quarta e quinta-feira, a partir das 14h), Sessão Queimada (sábado, às 15h), além de Sessão Melhor Idade, com dois filmes na sexta-feira (18), com início às 15.
O Cinema Paradiso faz parte da Mostra Inclusiva levando filmes em Instituições ou comunidades, a pessoas que não podem ir até o evento. Por isso, ele começa antes da abertura oficial e já esteve, na sexta (11), no Abrigo Bom Jesus de Cuiabá (Lar dos Idosos), e sábado (12), no Quilombo Lagoinha de Baixo, em Chapada dos Guimarães.
Durante a semana o público poderá conferir os filmes nas Mostras Competitivas de Curtas e Longas-metragens e votar no melhor de ambas as categorias, que vão levar o Troféu Coxiponé.
Terão as sessões Hors Concurs, com filmes premiados em outras edições e Festivais, na sexta-feira (18), a partir das 19h, e domingo (20), com início às 18h30, encerrando com “Pasárgada”, dirigido por Dira Paes. Ela estará no palco para a entrega do prêmio que leva o nome da atriz, para uma personagem feminina de destaque no audiovisual e em causas socioambientais.
Além das exibições acontecerão as Rodas de Conversa abertas, com os realizadores dos filmes, mediadas pelos jornalistas Lorenzo Falcão e Lidiane Barros, nos dias 16, 17 e 18 de julho, após as exibições da tarde, às 17h; Debate com título o “Construindo a Coletividades de Políticas Públicas de Audiovisual”, na sexta-feira (18), às 9h30, na UFMT; Oficinas de “Mentoria de Roteiro de Curta-metragem”, com atriz, diretora, roteirista e produtora, Izah Neiva, e de “Produção Executiva”, com a atriz, produtora audiovisual e contadora de histórias, Karla Martins; e o “Seminário Decolonizando a Amazônia”, revelando o tema da edição, com os professores doutores Sávio Stoco e Giseli Gomes Dalla Nora.
“Decolonizar é reconhecer que a Amazônia não é um vazio a ser explorado, mas um universo vivo de culturas originárias, comunidades tradicionais, sabedorias milenares e expressões que desafiam o olhar colonizado. Neste Festival, o cinema se transforma em ferramenta de escuta e visibilidade. Para entendermos melhor a visão do cineasta Silvino Santos, ninguém melhor que Sávio Stoco, doutor em meios e processos audiovisuais pela universidade de São Paulo, que dedicou sua trajetória acadêmica a Silvio Santos, o grande homenageado da noite”, destaca o cineasta Luiz Borges, curador e idealizador do Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá.
SOBRE O FILME
O documentário “Amazonas, o Maior Rio do Mundo” (1931), foi encomendado pelo governo do Amazonas para a Exposição Internacional de Sevilha. Este marco do Cinema brasileiro capturou a grandiosidade do rio Amazonas por meio de técnicas inovadoras para a época, incluindo tomadas aéreas pioneiras que revelavam a imensidão da paisagem. Bem como o cotidiano das populações ribeirinhas, os ciclos econômicos da borracha e da castanha, e as tradições culturais indígenas que permaneciam à margem dos registros oficiais.
O filme desapareceu misteriosamente após sua exibição na Europa. Acreditou-se que as únicas cópias haviam sido perdidas ou destruídas, até que, nos anos 1980, uma cópia foi milagrosamente encontrada nos arquivos de uma cinemateca europeia – havia sido “emprestada” sem autorização e simplesmente esquecida.
A redescoberta do filme permitiu reavaliar o lugar de Silvino Santos (1886-1970) na história do cinema. Mais do que um simples documentarista, ele revelou-se um artista com olhar antropológico aguçado.
“O rolo do filme continua na Cinemateca Tcheca. Foi digitalizado em 2023 e esse arquivo enviado à Cinemateca Brasileira, no mesmo ano. Inclusive o anúncio global sobre a descoberta também foi feito com chancela da Cinemateca Brasileira. Há uma colaboração da Cinemateca Tcheca com a Brasileira no sentido de dar toda assistência para projetos futuros de restauro. E foi estabelecido que quem administra as autorizações de liberação para projeções é a Cinemateca Brasileira, por conta da nacionalidade do filme.
A história do filme perdido e reencontrado espelha, de certa forma, a própria trajetória de seu criador: Silvino Santos, que chegou como imigrante, se tornou o mais amazônico dos cineastas, pois sua obra atravessou fronteiras, desapareceu e finalmente retornou para reafirmar seu lugar fundamental na cultura brasileira.
Será uma homenagem digna de se aplaudir e aproveitar!
Por Beatriz Saturnino – Da Assessoria de Imprensa

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