Gustavo Jota
Vivemos um momento curioso da história do trabalho. Temos, ao nosso alcance, tecnologias capazes de processar volumes colossais de dados, automatizar atividades em minutos e gerar respostas complexas com poucos comandos. Ainda assim, muitas organizações seguem atoladas em gargalos decisórios, estruturas engessadas e um medo quase silencioso de dar o próximo passo.
É neste paradoxo que a IA deixa de ser uma promessa, colocando-se como um instrumento de produtividade que acelera a digitalização de empresas. Como resultado, temos uma mudança de paradigma de como usamos o tempo, tomamos decisões e construímos valor no negócio. De acordo com projeções recentes da Pearson, através da pesquisa
Skills Outlook – Solving the Tech Talent Gap from Within), profissionais de tecnologia no Brasil poderão economizar, em média, de 1,8 a 2,6 horas por semana com o uso eficaz de tecnologias como automação de processos (RPAs) e modelos de linguagem aplicados no cotidiano (LLMs como Chat GPT e Google Gemini).
Dentro de uma visão macroeconômica, países como Estados Unidos, China, Reino Unido, Índia e Austrália, que também entraram na sondagem e que possuem maior maturidade tecnológica, estão na liderança, agregando produtividade nos negócios. Basicamente, estes países ganham diversos dias a mais por mês uma vez que a IA permite um maior volume de trabalho no mesmo espaço de tempo: de forma geral, entre 5,8 e 8,8 horas por semana poderiam ser poupadas em 5 anos. O que ainda impede muitas empresas de colher esses ganhos? A resposta está menos na IA em si e mais no amadurecimento organizacional para saber onde e por que aplicá-la.
Na Ativos Capital, o debate sobre IA não gira em torno do "futuro" do trabalho, ele gira em torno do uso responsável e estratégico da tecnologia garantindo ganhos sustentáveis de produtividade para os colaboradores e nossos clientes. Nossos aprendizados incluem que discutir muito, teorizar demais, projetar grandes projetos e adotar sem qualquer medida de governança de tecnologia são os erros mais comuns, em especial automatizar com IA as ineficiências sistêmicas. Automação por RPA ou IA sem propósito e conhecimento profundo dos processos não gera valor, não gera aceleração: gera ruído digitalizado. Eficiência só existe quando há clareza de objetivos e capacidade de mensuração.
Em discussões recentes sobre a evolução da produtividade do trabalho auxiliada por IA, faço questão de reforçar esse ponto: inovação real só faz sentido quando é aplicável, escalável e gera algum tipo de resultado mensurável. Por isso, nossa visão é pragmática: a tecnologia deve automatizar tudo que é repetitivo, é conhecido e seguro para que as pessoas se dediquem no que importa: validação, desenho de estratégias e tomada de decisão.
Neste contexto, as soluções que trazemos ao mercado sempre resolvem um problema real que é difícil de resolver com ferramentas tradicionais. Nós priorizamos tecnologias para gestão e disparo de campanhas para o marketing, vendas e comunicação oficial 1:1 usando o SMS, RCS, Voz e WhatsApp. E para clientes com demandas complexas, agregamos inteligência artificial para desvendar padrões no big data da jornada do cliente final, acelerando a análise e tomada de decisões E finalmente para clientes.
O futuro do trabalho não será sobre fazer mais com menos, mas sobre fazer melhor com o tempo que ganhamos. É importante destacar que aqui não cabe aquela discussão que está em evidência em alguns fóruns, sobre a substituição da mão de obra humana por IA. O tema vai muito além até porque, como foi dito e repetido neste espaço: não adianta uma tecnologia de ponta se ela não for bem otimizada para os processos que realmente fazem a diferença no dia a dia das empresas e companhias. É o pensamento estratégico que se sobressai. Tempo investido não é tempo desperdiçado. A IA nos devolve esse tempo. Cabe a nós devolver, em troca, decisões mais ousadas, mais conscientes e mais humanas.
A transformação digital que acreditamos não é cosmética. Ela não se resume a dashboards bonitos ou fluxos automatizados. Ela exige coragem para mudar modelos mentais, testar hipóteses, ouvir o cliente e adaptar rotas com agilidade e visão de longo prazo. A IA pode ser a faísca. Mas a mudança real, essa continua sendo uma escolha nossa.
Gustavo Jota é Especialista em produtos digitais e executivo da Ativos Capital.

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