Alfredo da Mota Menezes
Os depoimentos de Jair Bolsonaro e outros personagens sobre a tentativa de golpe de estado repercutiram muito no país. Não só no Brasil, o exterior deu também destaque a esse inusitado ato latino americano. Não é comum na região ter um julgamento sobre um assunto desses.
Grupo que tomava conta de poder neste ou naquele país nunca prestava conta de nada. Talvez possa ser citado o caso da Argentina em que, os que fizeram uma brutal ditadura, quando foram julgados e em longos depoimentos, mostrados pela imprensa, falaram muitas coisas sobre os caminhos do autoritarismo no país. No Brasil nunca antes golpistas prestaram depoimentos à justiça.
Foram ouvidos também os generais Heleno, Braga Neto e Paulo Sérgio Nogueira. No Brasil esse assunto de golpe recebeu um tiro mortal, talvez nunca mais aconteça isso aqui.
Aí aparece a utilidade ou importância de Bolsonaro. Não custa nada, em cima desses longos depoimentos, mostrados para o país inteiro, voltar a esse assunto. Bolsonaro vai ser lembrado de ter matado tentativa de golpe de estado no Brasil. Foi tão mal programado, como mostrado nos depoimentos e no trabalho feito pela Policia Federal, que o tal golpe ficou desmoralizado.
Ficou claro ainda que nem todos os membros das Forças Armadas concordam com ato como esse. Há uma divisão clara por ali. Uns querem e outros querem que a instituição fique na sua função constitucional.
Os mais radicais da direita politica se frustraram com o depoimento de Bolsonaro. Li muitas mensagens, inclusive de nomes fortes da mídia nacional, chamando Bolsonaro de covarde e outros ataques. Queriam golpe, não veio e ainda teve a fala do ex-presidente mostrando os muitos equívocos e até mesmo pedindo desculpa ao Alexandre de Moraes. Para os mais radicais isso é um absurdo.
A coluna retorna mais uma vez sobre o que ocorreu no Brasil em 1964. Naquele golpe houve a presença dos EUA. Aliás, quase toda a América Latina caminhou para ditaduras. Havia uma luta contra ideias socialistas e os EUA agiram na região para impedir que países seguissem o modelo cubano.
Muitos da área acreditaram que ficando do lado “capitalista”, lá na frente a situação, para os países seria bem melhor, com distribuição de renda e diminuindo a pobreza. Não houve nada isso, apenas foi impedido de ir para a esquerda, mas o benefício do capitalismo ficou para poucos e não para a maioria.
Somente Cuba caminhou na esquerda e não foi o sucesso que se imaginava. A União Soviética deu apoio ao regime de Fidel Castro. Depois que o socialismo desmorona por ali, acaba a ajuda e Cuba se complicou. Vemos milhões de cubanos buscando empregos em muitos países, inclusive no Brasil.
O outro beneficio que Bolsonaro trouxe para a politica brasileira, já comentado antes nesta coluna, foi fazer que a direita se posicionasse na politica nacional. Ele é a voz mais forte desse lado. Sem condições de ter mais mandato, será que ele passa esse bastão para outro eleito do grupo?
Alfredo da Mota Menezes é professor, escritor e analista político.
E-mail: pox@terra.com.br

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