Luciano Vacari
Nas últimas semanas um tema vem tomando conta dos noticiários escritos, falados, televisados e de todos os grupos de zap, e dessa vez não é a guerra da Ucrânia, ou a taxa de juros, muito menos se é a direita ou a esquerda que tem razão. O tema da vez é o preço do ovo.
Ele já foi de vilão a mocinho pelo menos umas dez vezes e isso tem forte influência na hora de escolher o cardápio, podendo estar atribuído a um conjunto de fatores, que vão desde a maior participação do produto nas dietas fitness até a elevação do preço das carnes. Nos últimos anos, por exemplo, o ovo passou a ser receitado para aqueles que buscam o corpo perfeito devido ao seu alto índice proteico.
Mas afinal, o que realmente está acontecendo com a iguaria?
Seria por conta do preço do milho? Em parte sim já que de julho de 2024 para cá o principal insumo na alimentação das galinhas teve uma alta de 30%, mas nada que seja novidade para esse mercado uma vez que estamos na entressafra do grão que só deve começar a ser colhido a partir de junho.
Ah, também tivemos o surto de gripe aviária nos Estados Unidos, o que fez com que as nossas exportações explodissem, e a regra é simples, mais exportação, menos produto no mercado interno, e quem paga a conta é a Dona Maria quando vai ao mercado.
Outra explicação seria o aumento da demanda no próprio mercado interno, impulsionada pelo aumento das proteínas de preferência do consumidor como carne bovina, de frango, suínos e peixes não restou ao brasileiro ao compor o prato do dia a dia com o ovo. Mas que fique claro, por necessidade, não por opção!
Ao que parece temos a tempestade perfeita, e todas as afirmações acima são verdadeiras. Temos um aumento da demanda interna ocasionado pelo deslocamento da curva de consumo para a proteína do ovo, o aumento das exportações em razão do foco de gripe aviária nos Estados Unidos, e o aumento do custo de produção em virtude dos preços do milho e do farelo de soja.
E como se não bastasse, ainda tivemos no mês de janeiro de 2025 uma grande mudança estrutural no setor, mudança essa que interferiu diretamente na relação entre a produção, a distribuição e a comercialização do produto. Ou ninguém percebeu a coincidência?
Mas olhando adiante é preciso encontrar uma solução para isso. O ovo representa a verticalização da cadeia de produção. Ele é a materialização da transformação da proteína vegetal com pouco valor agregado em proteína animal, e isso gera emprego, imposto e renda. Ele não é mais um simples complemento no prato do dia a dia, hoje ele é o prato do dia na mesa de milhões de brasileiros.
É preciso pensar a cadeia de produção do ovo. Propor políticas públicas de médio e longo prazo que garantam condições de produção para o pequeno produtor ao mesmo tempo em que forneça garantias sanitárias ao consumidor. Reduzir impostos, ou afrouxar o controle sanitário não vai ajudar.
Ainda, e mais importante, é garantir renda ao consumidor para que ele tenha condição de escolher a mistura do prato fazendo que o Brasil não fique tão exposto à crises de demanda internacional ou a aumento do custo de produção.
O fato é que seja ele frito ou cozido o preço do ovo gerou um grande mal estar entre o pessoal do poder, por que essa crise mostra a fragilidade do momento em que estamos, onde o cidadão brasileiro não consegue comer um ovo sequer sem comprometer o orçamento do mês.
E aí, quem veio primeiro, o ovo ou a crise do ovo?
*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Recursos: MP destaca que STJ ajusta penas em casos graves
Prazo para recurso da avaliação de títulos do CNU termina hoje
Taxação da carne bovina brasileira pela China
PM desmantela esquema de furto de diesel no Estado
Cibersegurança municipal: o risco invisível que já bate à porta
Wellington defende derrubada de veto à regularização na faixa de fronteira
TJ: entidade filantrópica pode ingressar ação no foro de seu domicílio
Brasil institui o Mês Nacional das Olimpíadas Científicas e do Conhecimento
PC deflagra operação contra furto de defensivos agrícolas
Justiça condena concessionária por morte causada por animal