Onofre Ribeiro
Na última sexta-feira, dia 1º de dezembro, participei de um encontro de pioneiros que construíram a rodovia Cuiabá-Santarém entre 1972 e 1976, num evento no 9º. Batalhão de Engenharia de Construção – 9º. BEC, em Cuiabá. No mesmo evento, foi incluído no museu do 9º. BEC cópia do primeiro traçado de rodovia Cuiabá-Santarém, feito pelo visionário empresário e líder político de Rosário Oeste, Arthur de Campos Borges. O mapa foi entregue em mãos pelo autor ao presidente Getúlio Vargas, quando esteve em Cuiabá em 1941.
O seu neto, professor aposentado da UFMT, Octacílio Canavarros, fundador e primeiro presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso, fez uma palestra interessantíssima sobre toda a epopeia de Arthur de Campos Borges. Lembrou que ele fez uma primeira e ousadíssima expedição saindo de Rosário Oeste, em 1896, pelo rio Cuiabá até Santarém. Levou borracha e trouxe guaraná de ralar, de Maués, no Amazonas. A propósito, Octacílio compilou relatos e a documentação encontrada no livro “Arthur Borges – a trajetória de um líder – ideias, propostas, realizações”.
O mapa ficou no acervo do museu do 9º. BEC.
Mas me tocou muito também, foi a reunião de muitos pioneiros que estiveram e participaram da construção épica da rodovia Cuiabá-Santarém, no começo da década de 1970. Todos de cabelos brancos. Os relatos de cada um são capítulos de pura História. Lembraram as semanas e meses passados no meio da floresta amazônica, com todas batalhas contra animais selvagens, contra os mosquitos, contra a malária e contra o clima de calor intenso e de chuvas torrenciais.
O capitão Antonio Carlos escreveu um livro contando a jornada da construção. Lembrou o sistema de abastecimento aéreo, o transporte de máquinas pelos aviões Buffalo da FAB, e a luta com as imensas frotas de caminhões FNM, a luta pra manter a frota de máquinas de terraplenagem e todos os equipamentos funcionando no meio da selva. Lembrou-se do contato com os índios e toda sorte de lutas imagináveis num projeto de rasgar a selva num prazo curto e concluir a rodovia.
O evento encerrou-se com um almoço, onde velhos encontros de gente de cabelos brancos que fez a História e hoje se reencontram vez ou outra. Ouvi muitas histórias da maioria deles. Conheci, por exemplo, Sator um militar profundo conhecedor dos enormes caminhões FNM, uma lenda entre os caminhões brasileiros. E do 9º. BEC, especialmente. Conheci enfermeiro, operador de rádio, motoristas, entre tantos outros cabecinhas brancas com as suas belíssimas histórias. Confesso que fiquei muito emocionado. Já entrevistei capitão Antonio Carlos e agora vou conversar com Sator, o homem dos caminhões FNM.
Penso que a escrita da história de Mato Grosso recente ainda não olhou pra construção da BR-163 naqueles anos 1970. É uma grande dívida que precisa ser paga, antes que todos os pioneiros se despeçam de nóscom as suas belíssimas estórias.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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