Augusto Fernandes
A declaração do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sobre a longa duração do combate ao Hamas aumentou as preocupações não apenas em Israel e no Oriente Médio, mas também em regiões distantes, como o estado do Ceará, no Nordeste do Brasil. Embora as conexões possam não parecer evidentes à primeira vista, os conflitos podem ter ramificações na economia cearense.
A guerra em Israel, em si, é uma tragédia humanitária que merece toda a atenção e esforço para buscar uma solução urgente. Além disso, gera instabilidades geopolíticas que afetam a economia global, e o Ceará não está imune a essas repercussões.
Um dos primeiros impactos indiretos que o Ceará pode enfrentar é o aumento do preço do petróleo. Israel está localizado em uma região geopoliticamente sensível e o conflito tem o potencial de se espalhar e envolver outros países do Oriente Médio, como Irã, Síria e Líbano. Se isso acontecer, a produção e o transporte de petróleo na região podem ser afetados, o que, por sua vez, pode aumentar os custos de produção de fertilizantes, diesel e fretes.
O Ceará é um importante centro de produção agrícola e agroindústria no Brasil. O estado exporta uma variedade de itens, incluindo frutas, calçados e produtos industrializados. Israel é um parceiro comercial significativo, importando calçados e exportando fertilizantes, especialmente cloreto de potássio, usado na agricultura. A guerra em Israel gera preocupações sobre o aumento dos preços dos fertilizantes e a possibilidade de interrupções no abastecimento, o que poderia prejudicar o setor agrícola cearense.
É importante observar que Israel não é o maior fornecedor de fertilizantes para o Ceará. A Rússia é o principal fornecedor desse insumo. No entanto, qualquer perturbação na cadeia de suprimentos global pode afetar os preços e a disponibilidade dos fertilizantes, o que é motivo de preocupação para os agricultores cearenses.
Embora os impactos diretos da guerra em Israel na economia do Ceará possam não ser imediatos, as ramificações indiretas são motivo de atenção. O estado depende do comércio internacional e do setor agrícola, e qualquer interrupção nas cadeias de suprimentos globais pode afetar sua estabilidade econômica. Portanto, é fundamental acompanhar de perto a evolução da situação no Oriente Médio e adotar estratégias para mitigar possíveis impactos negativos na economia cearense.
Augusto Fernandes é CEO da JM Negócios Internacionais.

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