Cristhiane Brandão
No último dia 5 de outubro, celebramos uma data importante: o Dia Internacional da Empresa Familiar. As empresas familiares representam de 67% a 90% das empresas do mundo. Além disso, as 500 maiores empresas familiares somaram 7,28 trilhões de dólares em receitas e empregaram 24,1 milhões de pessoas em 2021, conforme o índice Global de Empresas Familiares divulgado em dezembro do ano passado.
Apesar de representarem a espinha dorsal da economia, gerando grande parte dos negócios no país, desde pequenos estabelecimentos até grandes corporações, desempenhando um papel crucial na geração de empregos e no fomento à economia, um estudo divulgado neste ano pela global da PricewaterhouseCoopers (PwC) destaca que apenas 36% dessas empresas chegam à segunda geração e menos ainda, só 5%, à terceira geração.
Não por coincidência, a pesquisa global sobre empresas familiares divulgada neste ano pela PWC traz dados importantes para compreender os desafios de sobrevivência a partir de três importantes perspectivas complementares entre si, que são: transformar para conquistar a confiança de clientes, transformar para conquistar a confiança dos funcionários e transformar para conquistar a confiança da família.
A pesquisa apontou, por exemplo, que para seguir a direção correta é crucial a empresa ter uma estratégia ESG clara e uma comunicação direta com os clientes, já que 70% dos entrevistados (90 mil consumidores em 25 países) disseram estar dispostos a pagar mais por alimentos produzidos de maneira ética. No entanto, mesmo sendo pauta prioritária, no Brasil, apenas 16% das empresas se consideram "muito avançadas" em relação às estratégias e só 68% colocam pouco ou nenhum foco em ESG.
Outro ponto que vem sendo menosprezado diz respeito à confiança construída de dentro para fora, ou seja, a partir de uma cultura interna para atrair e reter talentos. Ao contrário, 50% dos empresários brasileiros (36% no mundo) dizem ter pouco foco nesse quesito. Embora a família empresária ainda tenha dificuldade para lidar com conflitos, somente 62% dos líderes dizem ter estruturas formais de governança implantadas, como acordos de acionistas, constituições e protocolos familiares e testamentos.
Isso significa que precisamos avançar mais, porque, infelizmente, a sobreposição de interesses familiares aos interesses da empresa afeta a gestão e a eficiência operacional. O equilíbrio entre essas necessidades é uma tarefa complexa que requer uma estrutura organizacional clara e a separação adequada de papéis e responsabilidades. Por isso a Governança Familiar hoje é essencial para implementar profissionalização e capacitação para a família conduzir da melhor forma o negócio; o que inclusive poderá exigir a contratação de talentos externos para cargos-chave.
Todas essas medidas, por sua vez, garantem a sustentabilidade e o sucesso a longo prazo, equilibrando a tradição e os valores familiares com a eficiência e a inovação necessárias no mundo dos negócios moderno. Se observarmos a trajetória de sucesso de empresas familiares como Natura, BMW, Walmart, Ferrero e Swarovski, elas mantiveram a força do seu legado familiar combinada com a visão empreendedora para crescer e se adaptar ao mercado internacional de maneira sustentável.
Não podemos menosprezar ou subestimar a importância das empresas familiares no contexto global e local, já que elas representam não apenas negócios, ou seja, lucro, mas um legado de empreendedorismo, valores e cultura. Precisamos avançar na profissionalização delas, garantindo assim continuidade e sucesso no futuro. A ideia é compreender a pauta pela perspectiva da interconexão de todos com todos. Vamos juntos?
Cristhiane Brandão é Conselheira de Administração, Consultora em Governança para Empresas Familiares e Coordenadora do Capítulo Brasília/Centro Oeste do IBGC, crisbran@brandaogovernanca.com.br.

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