Vivaldo Lopes
As projeções de crescimento forte da economia brasileira em 2023 e aumento expressivo das exportações beneficiam diretamente a economia de Mato Grosso. A atividade econômica estadual tem considerável dependência do mercado internacional por ser um dos estados que mais exportam mercadorias agropecuárias (soja, milho, algodão, madeira, carnes).
O recuo dos preços internacionais das commodities agrícolas tem sido compensado pela alta cambial e aumento do volume exportado e por safras abundantes. No mercado doméstico, o setor agropecuário beneficia-se da melhora do consumo das famílias, resultante da queda da inflação, redução do endividamento das famílias e da expansão dos gastos do governo federal com programas sociais de transferência de renda.
O PIB brasileiro deve crescer próximo a 3,5%, acima da média da economia mundial que tem previsão de crescer 2,4%. O saldo da balança comercial deve chegar a 95 bilhões de dólares, um dos maiores da série histórica.
Se os indicadores e fundamentos macroeconômicos do país sinalizam melhoras, com a redução da curva de juros futuros, trajetória declinante da inflação, maior oferta de crédito, passamos a conviver novamente com a elevação das incertezas externas.
O desempenho fraco das economias dos EUA, Japão e países da zona do Euro, que precisam sacrificar crescimento para combater a persistente inflação alta, reflete-se em menor demanda mundial das nossas mercadorias.
O aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve (FED), o Banco Central americano, ajuda a drenar para lá grande parte dos capitais que estão alocados em países emergentes, ocasionando valorização do dólar e, por consequência, pressionando a inflação local.
Outro fator relevante é o baixo crescimento da China, maior importadora de nossos produtos agropecuários. Se a China sofre um resfriado, a economia de Mato Grosso tem pneumonia. Essas forças recessivas nas maiores economias mundiais reprimem a demanda por bens primários que respondem por 97% das exportações mato-grossenses.
A performance macroeconômica de Mato Grosso nos últimos quarenta anos é de crescimento acelerado e continuado. Já tratei neste mesmo espaço, do descolamento da atividade econômica do estado em relação à economia nacional.
Todavia, o estado não é uma ilha que não se relaciona com o país e com o mundo. Ainda que de forma mitigada, os reflexos dos movimentos econômicos recessivos mundiais acabam chegando aqui. Assim aconteceu na retração da demanda ocasionada pela pandemia da covid-19 em 2020 e 2021 e repetiu-se com início da insana invasão da Rússia sobre a Ucrânia.
Entendo que o cenário de retração econômica mundial e a lenta retomada do crescimento do país não afetarão a atividade econômica do estado a ponto de alterar sua trajetória de crescimento. Como não afetou em 2022, quando o PIB do estado cresceu 7,7% no mesmo ambiente econômico doméstico e global. Os fundamentos macroeconômicos estaduais continuam sólidos em 2023, ancorados em safras exuberantes, aumento dos investimentos na infraestrutura logística e avanço da industrialização da nossa produção agropecuária, como se nota na indústria do etanol de milho que teve impulso extraordinário nos últimos anos.
A despeito do estado ainda conviver com ilhas de prosperidade ao lado de ilhas de pobreza. O excepcional desempenho da economia estadual não se mostrou suficiente para dar respostas satisfatórias em questões cruciais como redução das desigualdades sociais e regionais. Desafio que bate à nossa porta todos os dias.
Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia. É pós-graduado em MBA Gestão Financeira Empresarial-FIA/USP (vivaldo@uol.com.br)

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