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O Banco Central (BC) insiste na política suicida de manter a taxa Selic em 13,75%, apesar de o governo ter construído um ambiente mais do que ideal para a redução do índice, como atestam a nova regra fiscal, que será apresentada ao Congresso nesta semana, e os números da inflação, hoje em queda (4,6%, no acumulado de 12 meses).
Para continuar derrubando a produção, o emprego e a renda dos trabalhadores, no entanto, a diretoria da instituição se esconde atrás do “argumento” de que é preciso levar a inflação para a meta de 3,25% para diminuir a Selic, conforme justificou o diretor de Regulação do BC, Otávio Damaso, nesta segunda-feira (17).
“A gente vai atuar assim que tiver conforto de que a inflação está em uma trajetória compatível com o regime de metas”, declarou Damaso ao jornal Folha de S. Paulo. Apesar de o BC ter falhado miseramente em cumprir as metas de inflação estabelecidas desde que Campos Neto passou a ter mandato na instituição, há dois anos, Damaso diz considerar que o regime de metas “tem sido muito bem-sucedido”. Só esqueceu de dar nome aos bois e apontar que a meta e os juros na lua aniquilaram a atividade produtiva no país. Nesse sentido, o regime, de fato, foi muito bem-sucedido.
“O país está numa encruzilhada histórica, de um lado todo o país lutando pelo crescimento econômico e de outro o Banco Central com essa taxa de juros abusiva”, denunciou o líder do governo na Câmara, Jose Guimarães (PT-CE). “Precisa mudar urgente”, alertou. “Não há cenário e nem riscos para uma taxa de juros tão alta”, justificou Guimarães.
“O governo faz um esforço para aprovar a nova regra fiscal, melhorando o cenário econômico. O BC tem que abaixar os juros abusivos. Precisamos garantir previsibilidade, credibilidade e estabilidade”, ressaltou o deputado.
“O presidente do Banco Central, junto com o Comitê de Política Monetária (Copom), define a taxa de juros, que é o inverso do valor do trabalho”, explicou o economista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), André Roncaglia, ao analisar a relação entre política monetária e fiscal, há algumas semanas. “Se a taxa de juros está alta, não tem investimento. Se não tem investimento, não tem emprego”.
“Quando o Banco Central controla a taxa de juros, isso afeta o governo federal, porque aumenta o serviço de juros da dívida, uma espécie de cheque especial do governo”, definiu Roncaglia, lembrando que o governo pagou, em 2022, cerca de R$ 600 bilhões aos detentores dos títulos do Tesouro Nacional, o equivalente a 6% do PIB. Ou seja, quanto mais o governo gasta para honrar a dívida, menos recursos sobram para investimentos em setores estratégicos, como a indústria.
Asfixia da atividade produtiva
É desse modo que o capital financeiro captura os recursos do governo para o rentismo, enquanto asfixia os investimentos na atividade produtiva. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado na semana passada, classifica a atuação da política monetária do Banco Central como uma espécie de freio de mão da economia em 2023. De acordo com a entidade, enquanto as projeções de aumento do PIB se encontram em 1,2%, a indústria vai crescer apenas 0,1% em 2023.
“As taxas de juros elevadas vão continuar inibindo a atividade econômica, e por consequência a industrial, ao longo do ano”, declarou o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, à agência de notícias da CNI. “Quando a indústria vai mal, o Brasil perde, porque é a indústria que paga os melhores salários, desenvolve tecnologia e inovação”, lamentou Robson Andrade.
Fiesp volta a criticar juros: “Selic é absurda”
Nesta segunda, durante a abertura do seminário “Gás brasileiro para a reindustrialização do Brasil”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o presidente Josué Gomes da Silva voltou a criticar a taxa de juros.
“Não podemos mais praticar as taxas de juros reais dos últimos anos. Agora temos essa absurda taxa básica real de 8%, mais os spreads bancários. Precisamos consertar as razões que nos levam a ter uma taxa tão alta”, disse o presidente da Fiesp.
Da Assessoria (Partido dos Trabalhadores), com Folha e Metrópoles

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