Alfredo da Mota Menezes
Com Bolsonaro no governo a direita nacional botou a cara para fora da janela. Isso é positivo para a politica nacional. Ela sempre existiu, mas misturava-se com outros lados da politica e não ficava claro quem era e o que pensava e defendia.
Esse vai ser o maior legado de Bolsonaro. O que falta a esse grupo é um partido politico senão vão sempre ser chamados de bolsonaristas. O outro grupo politico forte, a esquerda nacional, tem a cara na politica há mais tempo.
A marca da esquerda e direita não é ideológica e nem de diferentes conteúdos programáticos. Um grupo é antipetista, o outro antibolsonarista. Simplesmente isso. No restante são iguais e agem de forma idêntica.
Por exemplo, não existem, por parte de ambos, ataques ao capital. Nem pelos da esquerda. Com a esquerda no poder no Brasil, os que detinham os meios de produção ganharam foi mais dinheiro. O mesmo faz agora a direita. Convive numa boa com o grande capital, nos moldes que a esquerda convivia.
Antes os da direita criticavam os da esquerda de usarem populismo eleitoral para se manterem no poder. A direita criticava o excesso de ajuda social que se fazia nos governos ditos esquerdistas. Agora fazem as mesmas coisas que condenava na esquerda. Tudo na busca do voto na próxima eleição.
Ao usarem desbragadamente o poder para arranjos sociais, um não pode criticar o outro. Ser contra perde votos. Como ser contra aumentar recursos para pessoa em situação social difícil? A direita e a esquerda usam isso com maestria.
Outra semelhança. Os que pertencem a esses dois grupos, esquerda e direita, não aceitam criticas. Acham-se os donos da verdade politica. Quem pensa diferente é olhado como adversário.
Antes se via isso claramente em gentes da esquerda no poder. Hoje é muito claro também com os bolsonaristas. Nunca erram. Os que pensam diferente são atacados e hoje se tem uma arma de enorme alcance que é a rede social.
Os dois lados políticos são também contra a imprensa e o Supremo Tribunal Federal ou quem atravessar no caminho deles. São autoritários. Não admitem contestação ou contraponto. Se fizer, passa a ser inimigo.
O contraponto deveria ser pelo Congresso, mas os dois lados são peritos na compra do Parlamento. Anulam a atuação dali. Agora até permitiram que o Legislativo tenha um orçamento secreto. Vamos ver, se a esquerda voltar ao poder, o que vai inventar para continuarem mandando no Congresso.
A diferença estaria no Deus, Pátria e Família? A esquerda, quando no poder, nunca se mostrou contra essa máxima da direita internacional.
Esquerda e direita vão dominar a política nacional. Outros partidos e lados políticos vão ser sempre a tal terceira via. As disputas se darão, de agora para frente, para o bem ou para o mal, entre o radicalismo de um lado e do outro. Mas, no poder, vão agir de forma idêntica.
Alfredo da Mota Menezes é professor, escritor e analista político.
E-mail: pox@terra.com.br Site: www.alfredomenezes.com

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