Alfredo da Mota Menezes
O preço do combustível cresce e isso influencia na inflação. Esse aumento leva até a comparação com o que ocorre em outros países. Aliás, muita gente do Brasil, que vive perto da fronteira, tem ido abastecer carro na Argentina ou Paraguai. Por que lá a gasolina seria mais barata?
No caso da Argentina são citados vários fatores, mas se dá ênfase a três deles. Um, impostos menores sobre combustível que no Brasil. Dois, o real é mais valorizado que o peso argentino. Um real vale 18 pesos. Três, o governo congelou o preço dos combustíveis. No Paraguai a diferença do preço estaria nos impostos, muito mais baixo que no Brasil. Também o câmbio, real e guarany, favorece encher o tanque lá.
Outro aspecto levantado parte de uma pergunta geral: se o Brasil é autossuficiente em petróleo, por que o combustível estaria atrelado à alta do dólar? Se este sobe, o combustível também. Se o país tem petróleo porque ir lá fora comprar petróleo em dólar?
O Brasil é mesmo autossuficiente em petróleo, mas o que se extrai aqui é o chamado petróleo pesado, dizem os especialistas. Nossas refinarias foram construídas para industrializar ou refinar o petróleo leve. Por isso se importa o petróleo leve, principalmente do mundo árabe. Esse petróleo, antes da pandemia, custava cerca de 40 dólares o barril, agora custa 80 dólares. Se compra esse petróleo em dólar que está amarrado às oscilações cambiais.
O petróleo pesado, do qual o Brasil extrai muito, é praticamente exportado. Teve ano do Brasil exportar mais de 400 milhões de barris de petróleo pesado e importar outros milhões de barris do leve. Se for isso mesmo, a coisa só mudaria se trocar o tipo de refinaria que se tem no país.
Bolsonaro falou em privatizar a Petrobras. Não adiantaria nada, mostram as análises. Na mão da iniciativa privada, iria, como agora, na busca de lucros para seus acionistas. E, se não mudar as refinarias, se teria que fazer a mesma coisa que se faz hoje, buscar petróleo leve no exterior e exportar o pesado.
Falou-se também em criar um fundo para sair dali recursos para amenizar altas que viessem pela frente. Seria tirar dinheiro de um lugar para outro. No final quem paga tudo é o mesmo Brasil. Não falaram mais nisso.
Outra “saída” seria conter o aumento do preço do combustível, como fez Dilma Rousseff durante seu governo. Foi um desastre, mostram os números e a realidade daquele momento. A Petrobras teve um prejuízo de cerca de 80 bilhões de reais que foi custeado de outra forma pelo próprio país.
Isso, entre outras manipulações na economia, ajudou a eleger a Dilma, mas trouxe drásticas consequências econômicas. Veio a maior recessão da história em 2015 e 2016 que ajudou no impeachment dela. Bolsonaro iria por aí também?
Alfredo da Mota Menezes é Analista Político.
E-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com

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