Luciano Vacari
A crescente demanda interna e internacional e os fatores climáticos afetaram o mercado do milho, causando grave risco de desabastecimento. Por isso, é fundamental que o governo cumpra sua função regulamentadora e promova intervenções que garantam o abastecimento.
Recentemente o governo federal anunciou um aporte de até 200 mil toneladas de milho para atender pequenos produtores rurais que estão com dificuldades para adquirir o principal insumo da alimentação de suas criações. Paralelamente, a ministra da agricultura Tereza Cristina afirmou que está em fase final o processo de isenção do PIS/COFINS para a importação do grão.
As ações são para equilibrar o mercado, que vem registrando recordes no preço do grão e uma corrida internacional, principalmente pelas grandes empresas, para importar milho de países como a Argentina. De acordo com indicador do Cepea, o milho chegou à casa de três dígitos em São Paulo, 75% a mais do valor praticado em agosto de 2020.
Esta valorização foi impulsionada pela queda na produtividade desta safra, que foi semeada mais tarde devido à estiagem no Centro-Oeste brasileiro e ainda sofreu os impactos das geadas nas regiões Sul e Sudeste. Mas, ao longo dos últimos anos, os ganhos produtivos do milho são um fiel exemplo da nossa agricultura.
A produção brasileira de grãos tem uma trajetória de muito investimento em pesquisa, adoção de tecnologias e aumento da produtividade. Especificamente no cultivo do milho, em quase cinco décadas (1976 a 2021) a produção aumentou 385%, a produtividade 188% e área plantada aumentou 68%. Neste caso, cabe destacar que houve uma redução da área de primeira safra, que cedeu espaço para a produção de outros grãos, e incremento significativo na produção de segunda safra.
É impressionante o desempenho do cereal, porém não foi suficiente para estabilizar os preços. A relação entre oferta e demanda tem que estar acompanhada de estratégias robustas para manter a produção a preços acessíveis para a população e com rentabilidade para o produtor rural.
Isso se dá com planejamento, investimentos e políticas públicas, que podem ser realizadas para fomentar a produção, a manutenção dos estoques públicos ou para reestabelecer o equilíbrio mercadológico.
A interferência de um governo precisa de ter a medida certa, ser responsável, produtiva e segura. Afinal, o que se busca é a segurança alimentar da nação.
Luciano Vacari é gestor de agronegócios e diretor da Neo Agro Consultoria.

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