Paulo Lemos
Pessoal, qual é a opinião de vocês a respeito da forma que está sendo conduzida a retomada das aulas em Mato Grosso, ainda que virtualmente, para quem tiver acesso à internet, e com distribuição de apostilas para quem não tiver?
Instituindo duas categorias distintas de discentes, incluídos e excluídos de toda plataforma e submetidos a serviços e produtos pedagógicos desiguais, violando princípios comezinhos da educação pública?
Pergunto sobre o prisma do planejamento estratégico, tático e operacional, afora o diagnóstico da quadra e do quadro atual, se feito durante os quatro meses superados e com a participação das comunidades escolares, ou se abruptamente e de cima para baixo, como espada de Damocles e Pedra de Sísimo?
Das condições de trabalho, custeado pelos educadores a partir de casa, se receberão indenização pelas despesas que terão colocando seus lares como extensão da escola ou terão de arcar do próprio bolso com a energia elétrica, internet, equipamentos e outros insumos?
Serão submetidos à algum tipo de atendimento presencial, em plena Pandemia, se expondo e expondo terceiros ao risco de contaminação, padecendo ou sendo vetores do Coronavírus?
A qualidade do ensino e aprendizagem, sem qualificação prévia de metodologias ativas e tecnologia de informação, a tempo e modo devidos, os quatro meses que o Governo teve até aqui, sem susto e atropelos, será possível de ser exigida e assegurada?
O ônus tutorial delegado aos pais, como se fossem servidores, será remunerado?
E quais serão as consequências, diante de profunda recessão econômica, da suspensão do pagamento do auxílio aos interinos, aprovado em lei, e contratação de apenas parte deles, sendo que outros ficarão desempregados e sem subsídio algum?
Interrompe-se o processo abaloado e atirando para todo lado, sem saber aonde vai acertar, de retorno às aulas, sem recursos e insumos necessários, sem sequer um diagnóstico da realidade de cada unidade escolar, para adotar o EAD, sem um levantamento prévio, bem lá atrás, das condições dos alunos e professores, em casa, já que na escola é foco de proliferação do vírus.
Paga o auxílio aprovado pelo Legislativo, que já é lei, para todos interinos, até o final do ano, que deixaria muitos desempregados, sem qualquer subsídio, se as aulas retornarem da maneira projetada, pois na modalidade sugerida faltariam muitas vagas e os que ficassem de fora seriam páreas, sem direito algum, algo desumano em plena Pandemia.
E aproveite o segundo semestre para fazer um planejamento estratégico, tático e operacional, ouvindo todos os envolvidos e afetados pelo retorno das atividades escolares, que seja eficaz, eficiente e efetivo, e não meramente protocolar e para Inglês ver, dado o curto espaço de tempo daqui até agosto deste ano (absurdo!), mediante comunicação abrupta e recentíssima, pegando todos de surpresa e despreparados, ou seja, sem provisão de tempo, espaço e insumos, sem assessoramento de gestores governamentais de carreira e técnicos de informação, que existem para isso.
Outrossim para capacitar os profissionais da educação, dirigentes, educadores e técnicos, para trabalhar com metodologias ativas em ambiente virtual, idem para dar tempo aos pais e alunos se adaptarem a essa realidade distinta, sem se esquecer de que ainda haverá o empecilho de exclusão social e de não universalização do acesso à plataforma, já que muitas famílias não tem internet em casa, algumas nem mesmo computador, sem falar das comunidades rurais, quilombolas e indígenas, que por vezes não têm acesso a energia elétrica.
Assim, as coisas fluem como as águas dos rios entre as pedras sem porém matar a mata ciliar, passada a Pandemia, de maneira organizada e agendada com antecedência necessária, para todos se prepararem.
Paulo Lemos é advogado em Direito Administrativo com ênfase em Planejamento e Improbidade Administrativa.

Ainda não há comentários.
Veja mais:
INSS terá fila nacional para reduzir tempo de espera
Software: TJ mantém bloqueio de conta de jogo eletrônico
Estado anuncia redução do ICMS da cesta básica em 2026
Os leprosos dos dias de hoje são os descapitalizados
Lei do salário mínimo, que faz 90 anos, organizou relações de trabalho
Cartório Central: megaoperação da PC desmantela facção
A instabilidade como método
Governo confirma suspensão de descontos de empréstimos consignados
Contrato por telefone: Justiça manda devolver valores a idosa
Tribunal de Justiça garante isenção de ICMS para compra de carro