Paulo Lemos
A taxa de contágio do Coronavírus é talvez a mais alta que já vimos, até pela fala e respiração. Sua velocidade é sem precedentes, tomou o Mundo em pouco tempo. A evolução dos casos graves é questão de 24 horas, já demandando uma vaga na UTI.
O isolamento social, se observado pelo menos por 70% da população, achata a curva e faz com quê o SUS suspire e tenha condições de salvar o maior número de vidas.
Em países muito mais estruturados e ricos do quê o nosso, pessoas estão morrendo dentro de casa, nas ruas e nas praças. No Brasil faltam máscaras, testes, álcool em gel, UTI's e presidente da República, lúcido e minimamente preparado para o cargo.
Enterros têm ocorrido de forma coletiva, em enormes valetas abertas, coisa vista só em tempos de guerras sanguinárias.
Velórios sem a participação de ninguém, nem do pai e da mãe, ou dos filhos.
E ainda tem gente que não teve capacidade cognitiva de compreender o quê estamos enfrentando e defendendo o liberou-geral, com abertura ampla e irrestrita do comércio e o fim da medida de contenção recomendada por todos os infectologistas do Mundo e a OMS, com o trânsito de transeuntes por todos os lados e por todas as vias, inclusive por coletivos superlotados.
E não existe nenhum estudo randomizado sobre qualquer medicação, apenas palpites, e o Bolsonaro com fixação obsessiva na hidroxicloroquina, como se fosse o "Falo", achando que é malária e recomendado tomar até o quarto dia útil, a desconsiderar feriados, final de semana e recesso.
Então fiquem em casa e não sejam egoístas e narcisistas ao ponto homicida de exortar os demais a se submeterem à morte, por puro capricho de quem vive com a cabeça em Marte ou na terraplanagem de quem crê ser a Terra uma reta, que se inclinar cai tudo, até as águas de Ipanema ou do Guarujá.
Depois que me informei adequadamente, lendo, ouvindo e vendo o noticiário, pesquisando em sites seguros e idôneos, alertado por autoridades mundiais e inclusive por amigos sanitaristas, dentre eles o médico e deputado estadual Lúdio Cabral, decidi interromper minhas atividades como profissional liberal e autônomo, aderindo ao isolamento horizontal, junto de toda minha família, saindo apenas para o essencial, e proclamando a defesa dele aos quatro ventos, mesmo passando dificuldades.
Não quero carregar a responsabilidade por milhares ou milhões de mortes, por insana prepotência pessoal, negacionismo científico e ganância material, enfim, por me achar superior aos demais, me preocupar apenas com meu umbigo e sobrepor minha conta-corrente à vida alheia, sem o mínimo de solidariedade, empatia e humanidade.
Por último, não ouçam o lunático e facínora presidente do Brasil, eleito pelo ódio, ignorância e interesses de classe, mesquinhos e retrógrados, diga-se de passagem, que aparenta ter estacionado na cabeça vazia dos incautos que idolatram Olavo de Carvalho, "astrólogo", Edir Macedo, Waldomiro Santiago, Silas Malafaia, "pastores", e companhia ilimitada de mercenários, charlatões e picaretas, pouco se lixando para a vida, dignidade da pessoa humana e cidadania de cada um de nós.
Paulo Lemos é advogado eleitoralista, administrativa e criminalista, professor, palestrante, escritor e articulista de opinião.

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