Onofre Ribeiro
O ano de 2020 já iniciaria movido pelas eleições municipais. Acrescente-se agora uma eleição extemporânea da vaga de senador no lugar de Selma Arruda. Aqui cabem muitas reflexões.
A primeira delas é sobre quem será o grande eleitor dessas duas importantes eleições. A primeira visão recai sobre o governador Mauro Mendes. Hoje é a liderança mais proeminente do estado, Queiram ou não os partidos políticos ou as lideranças da política atual. O leitor certamente quer uma explicação. Mauro Mendes passou o ano de 2019 alimentando o discurso da crise financeira herdada. No fim do ano resolveu pendências salariais com os servidores públicos, com parte dos credores do governo. E anuncia um ano com realizações efetivas.
Esse discurso soa bem aos ouvidos de muita gente da sociedade, do mercado e contribui pra melhorar a imagem do governador e do governo. Fora Mauro Mendes vem Blairo Maggi, seguidos de diversos nomes como Júlio Campos, Welinton Fagundes, Jaime Campos, Emanuel Pinheiro, Carlos Fávaro. Fora o fato de ser governador Mauro Mendes tem a seu favor uma série de dificuldades de partidos fragilíssimos, incapazes de organizar candidaturas sustentáveis.
O caso do Senado, o DEM deu ao governador o poder de escolha dentro de um consenso partidário obtido muito mais pela falta de opções do que pela harmonia interna. Contudo, o DEM é o partido melhor posicionado hoje, seguido do MDB. Aqui reside a equação chamada Carlos Bezerra, político experiente, negociador impiedoso bem ao estilo fisiológico histórico do partido. Fora esses, não existe mais o mínimo de consenso entre partido e entre lideranças políticas.
O cenário é de coligações em torno do candidato indicado por Mauro Mendes e pela condução de Carlos Bezerra. Tudo indica que o atual prefeito Emanuel Pinheiro seja mesmo a escolha de Bezerra. Ou, se não, haverá uma negociação pesada na qual o próprio Carlos Bezerra seja o beneficiário final. É o seu estilo.
Mas, ao pé da letra, a maior força mesmo está com o governador Mauro Mendes. Quem detém o poder em ano de eleição tem maiores chances de construção da continuidade do poder seguinte. O tempo de grupos políticos se esgota rapidamente. Neste momento, é tempo de lideranças isoladas. Num futuro próximo, depois de necessária reforma partidária, será tempo de partidos com as suas estruturas. É bem possível que a eleição de 2022 já se dará em outras bases de organização política. Mas neste momento, ainda vale a força de lideranças, porque os partidos políticos pra quase nada servem.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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