Alfredo da Mota Menezes
A Fiemt promoveu encontro dos três candidatos mais bem colocados em pesquisas eleitorais, Wellington, Taques e Mauro, com empresários da indústria no estado. Cada um, separadamente, teve espaço para expor suas ideias e responder perguntas que interessam ao setor industrial.
Os três candidatos assinaram um compromisso de trabalhar pela maior industrialização do estado. Esse documento nasceu da discussão interna da entidade e também de estudos da CNI. Alguns itens ali abordados.
Segurança jurídica é um. Pedem-se normas mais claras, não cumulativas e que não gerem confusões e longas demandas jurídicas. O receio é iniciar um empreendimento sob vigência de certas de normas e daqui a pouco o rumo é outro.
Abaixar o ICMS da energia para 17% e do diesel para 12%. Goiás, MS, São Paulo, Santa Catarina já estão nesse patamar. Ter ainda um estado mais enxuto, menos burocrático, para sobrar recursos humanos e financeiros para ajudar na industrialização.
Investir na melhora da logística de transporte, incluindo ferrovias, hidrovias e rodovias. Melhorar a qualidade da educação e também incentivos fiscais apropriados para atrair mais indústrias para o estado. Buscar novas fontes de financiamento para a indústria, incluindo a participação do estado no Fundo de Financiamento do Norte.
Encontrar meios e alternativas para que MT entre na chamada indústria 4.0 ou quarta revolução industrial, trabalhando para se ter mais inovações tecnológicas no estado. E ainda como compatibilizar crescimento econômico com defesa do Meio Ambiente.
A base para esses pedidos e sugestões é que MT tem um mercado consumidor pequeno e para levar bens industriais daqui para outros lugares do Brasil a distância é enorme e o transporte difícil. Mais custos são acrescentados ao final da equação.
Como amostra dessa dificuldade, recente pesquisa nacional mostrou que, entre janeiro e agosto deste ano, MT exportou apenas 0,83% de produtos manufaturados do total de produtos exportados. Ou seja, menos de 1% da gigantesca exportação do estado naquele período. É preciso crescer essa fatia na exportação estadual.
Não é possível um estado que produz quase 70% do algodão do país não industrializar parte disso. Um estado que abate hoje cinco milhões de cabeças de gado por ano e que, segundo o Imea, deve ir mais de sete milhões em 2028, e não se industrializa nadinha do couro. O caminho industrial do milho para etanol e farelo se mostra mais promissor.
Termino fazendo uma bruta ilação sobre um assunto longe daqui mas que poderia, quem sabe, afetar-nos também. Mostrou publicação recente que, com novas tecnologias disponíveis no mercado mundial, o custo da extração de um barril de petróleo do pré-sal será de apenas 35 dólares. A produção brasileira vai crescer exponencialmente.
Alguns chamam o petróleo de estrume do diabo: onde entra expulsa a indústria. E, além disso, o Brasil é o maior exportador de minério de ferro, também de commodities agrícolas e agora o petróleo. Ocorreria uma (ou aumentaria) desindustrialização no Brasil, como ocorreu em outros lugares do mundo no caso do petróleo? Se ocorresse, afetaria até o sonho nosso de uma maior industrialização?
Alfredo da Mota Menezes escreve nesta coluna semanalmente.
E-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com

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