Onofre Ribeiro
Pra ser justo, desde o tempo dos governos militares não se faz mais planejamento governamental no Brasil. Explico. No tempo deles, existia um Ministério do Planejamento e Coordenação Geral. Sublinho a expressão por simples razão. Todas as demandas de todas as áreas do governo eram feitas nos ministérios e estatais, etc. Chegavam ao Ministério do Planejamento onde os técnicos juntavam tudo. Associavam projetos similares e criavam programas conjuntos dentro do governo. Economizava-se muito dinheiro e evitava que dois ou mais ministérios fizessem coisas iguais por caminhos desiguais e custos diferentes.
Cito um exemplo apenas. Teria dezenas. O governo Médici (1971-1974) planejou dividir Mato Grosso e criar Mato Grosso do Sul. Fez uma série de planos preparatórios de pavimentação, de eletrificação, criou a Universidade Federal em Mato Grosso. Criou também poderosos planos de desenvolvimento regional para os cerrados, pra Amazônia, pro Pantanal e pra região da Grande-Dourados no Sul do Estado. E um plano chamado Programa de Desenvolvimento de Mato Grosso para apoiar posteriormente à divisão o custeio e os investimentos nos dois estados, cujas receitas ficaram muito pequenas.
Depois do fim do regime dos militares a Constituição de 1988 transformou o Ministério do Planejamento em administrador do Orçamento da União. Não planeja mais. Só compatibiliza do jeito que der os recursos demandados dos ministérios e das estatais. Esses fazem os seus orçamentos isolados de acordo com os interesses políticos dos partidos que os dirigem. Logo, o orçamento geral da União é uma peça de política e não mais uma peça técnica.
O Brasil que temos hoje é fruto exclusivo da falta de planejamento central de nação. Cada ministério é um governo separado e cada partido que o dirige é um país isolado com projetos e planos que representam interesses de seus dirigentes. Logo, não tempos uma nação. Temos um amontoado de fragmentos políticos.
Por fim, chegamos a Mato Grosso. Nas eleições de 2018 reina o mais absoluto silêncio de planejamento minimamente consistente. Os sinais futuros aqui são alentadores, mas sem planos de nenhuma espécie. Assunto pra outros artigos.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Recursos: MP destaca que STJ ajusta penas em casos graves
Prazo para recurso da avaliação de títulos do CNU termina hoje
Taxação da carne bovina brasileira pela China
PM desmantela esquema de furto de diesel no Estado
Cibersegurança municipal: o risco invisível que já bate à porta
Wellington defende derrubada de veto à regularização na faixa de fronteira
TJ: entidade filantrópica pode ingressar ação no foro de seu domicílio
Brasil institui o Mês Nacional das Olimpíadas Científicas e do Conhecimento
PC deflagra operação contra furto de defensivos agrícolas
Justiça condena concessionária por morte causada por animal