Onofre Ribeiro
A economia de Mato Grosso está passando por um gargalo de transformações. Algumas regiões estão se consolidando rapidamente como locomotivas estaduais e regionais. Cito algumas: Rondonópolis, na região Sul, Água Boa, na região Leste, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Sorriso e Sinop na região do Médio Norte, Alta Floresta na região Norte, Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis, Sapezal e Juina na região Noroeste. Na região Oeste Cáceres ainda não entrou na pauta, dependendo da hidrovia e da ZPE. Ambas emperradas. Na região central Cuiabá e Várzea Grande.
Neste artigo gostaria de refletir uma conversa que tive nesta semana além a exposição do diretor executivo do Fórum Pro-logística de Mato Grosso, Edeon Vaz, no seminário de Logística, em Cuiabá. O eixo da rodovia Cuiabá-Santarém, a BR-163, será o principal eixo da economia estadual acima de Cuiabá. Abaixo, será Rondonópolis.
Pra se ter uma ideia, a produção de soja na BR-163 em 2015 foi de 9,33 milhões de toneladas, e a de milho foi de 7,50 milhões, segundo dados do IMEA. Em 2025, ainda segundo o IMEA, serão 17,53 milhões de toneladas de milho e 13,05 milhões de soja. Aqui está a equação. A vocação regional, pelos números citados, é concentrar-se no milho. Ouvi ontem do empresário Carlos Fávaro numa roda de conversa: “A vocação de Mato Grosso é produzir milho”.
Sendo assim, a imensa produção de milho esperada pra região nos próximos 7 anos, vai trazer junto uma produção enorme de etanol de milho, de biodiesel, indústrias de ração, agroindústrias de transformação e a concentração agregada de carnes bovina, suína e de frangos. Nesse andar da carruagem, o desenvolvimento econômico, social, político, representatividade empresarial e parlamentar da região, vai criar um imenso confronto com no restante do estado.
Será como pensar na região do Médio Norte pra cima se descolando de um Mato Grosso de território muito grande e marcado por mais de 120 municípios pobres ou medianamente ricos. A maioria pouco desenvolvida.
O que seria uma virtude conquistada pelo trabalho e pelo vencimento de tantos desafios n Médio Norte, vire uma contradição que separe dois Mato Grossos: um pobre e um rico. Na esteira disso, virão diferenças regionais, preconceitos, separações diversas e o renascimento de uma velha cicatriz mal curada chamada divisão de Mato Grosso.
Papel dos próximos governos tratar desse assunto de maneira estratégica e dentro de um planejamento global de Estado. Por ora, ninguém fala e nem quer falar em divisão. Mas virá, se nada for feito pra integrar o desenvolvimento estadual. O assunto continua amanha.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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