João Edison
Os acontecimentos políticos desencadeados em 2013 (passeatas na Copa das Confederações), as constantes operações policiais, as decepções políticas e administrativas, as atitudes de muitos ministros do STF e o repercutir dos escândalos nas obras da Copa de 2014 fizeram com que o brasileiro perdesse a autoestima. Isso tem refletido no torcedor de futebol e deve chegar as eleições de 2018.
Pierre de Frédy, mais conhecido pelo seu título nobiliárquico de Barão de Coubertin, foi um pedagogo e historiador francês que ficou para a história como o fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna. Ao dar abertura as Olimpíadas, ele pronunciou a sua frase mais célebre: "O importante não é vencer, mas competir. E com dignidade". Isso vale para quase todo mundo, mas não para os brasileiros. Aqui, o importante é ganhar, mesmo que seja roubando. Isso tem valido para o esporte e para a política.
Eleição deveria ser tempo de esperança, mas os possíveis candidatos, principalmente a presidência, e seus velhos e desatualizados discursos tem contribuído de forma significativa para aumentar o descrédito não somente com os políticos que estão na ativa como também com os possíveis eleitos, sejam eles quem for.
Devido a tudo isso, a relação do torcedor com a seleção e os possíveis resultados dos jogos da seleção brasileira na Rússia estão contaminados ainda mais as eleições de 2018. A autoestima nacional anda excessivamente baixa, tanto que a torcida está aos extremos: torce inicialmente para o Brasil ganhar, mas se for para empatar ou perder preferem que a seleção seja goleada, massacrada, arrebentada. Isso demostra a falta de esperança, desespero e dor.
Ao final dos anos 50 surgiram Pelé, Garrincha e companhia no futebol fazendo o Brasil chegar ao seu primeiro titulo mundial, feito que se repetiu em 1962. Junto com o futebol surgia Éder Jofre, pugilista peso galo. Mais tarde, em 1970, tivemos a vitória histórica com a seleção e neste período surgiu também uma dinastia nas corridas de Fórmula 1, Emersom Fittipaldi, na sequência Nelson Piquet e Airton Senna. Eles somaram juntos oito títulos entre 1972 e 1991.
Gustavo Kuerten, que surge justamente em 1994, ano que a seleção é tetra nos EUA, vai até 2014, somado que o Brasil virou penta na Copa da Coreia e Japão em 2002. Após isso, muitas decepções no esporte. É verdade que alguém vai lembrar do voleibol, mas assim como o basquete, campeão dos anos 60, o vôlei nunca empolgou o brasileiro. Esses esportes não tem cheiro de “povo”. O tênis também não, mas o campeão tinha este apego popular.
Bem, falei tudo isso para dizer que voltamos ter o "Complexo de vira-lata" que é uma expressão criada pelo dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, a qual originalmente se referia ao trauma sofrido pelos brasileiros em 1950, quando a Seleção Brasileira foi derrotada pela Seleção Uruguaia de Futebol na final da Copa do Mundo em pleno Maracanã. Na próxima eleição poderemos votar com o sentimento de vira lata, e aí o quanto pior melhor votarmos para que tudo seja realmente destruído. Perigo isso!
João Edison é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso.

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Recursos: MP destaca que STJ ajusta penas em casos graves
Prazo para recurso da avaliação de títulos do CNU termina hoje
Taxação da carne bovina brasileira pela China
PM desmantela esquema de furto de diesel no Estado
Cibersegurança municipal: o risco invisível que já bate à porta
Wellington defende derrubada de veto à regularização na faixa de fronteira
TJ: entidade filantrópica pode ingressar ação no foro de seu domicílio
Brasil institui o Mês Nacional das Olimpíadas Científicas e do Conhecimento
PC deflagra operação contra furto de defensivos agrícolas
Justiça condena concessionária por morte causada por animal