Onofre Ribeiro
Na última sexta-feira fui convidado pra participar da solenidade de 25 anos da fundação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural-Senar. Trago o assunto neste artigo depois de ouvir a leitura da carta que o jovem presidente do Senar, Otávio Celidônio escreveu e colocou dentro de uma cápsula do tempo instalada na entrada do prédio.
Otávio tece uma série de considerações sobre o momento atual que vive o Brasil e nós em Mato Grosso. Mas prospectou também o futuro. Estava ao lado do publicitário Gustavo Vandoni com quem costumo esticar longas e agradáveis conversas. À medida que ouvia a leitura da carta imaginando uma pessoa de 30 anos abrindo a cápsula do tempo em 2043, quando o Senar tiver 50 anos. Terão se passado 25 anos.
O que ele compreenderá daquilo que ler? Mais. Ela entenderá todos os questionamentos da carta? Ouvindo a leitura e comentando com Gustavo Vandoni, imaginamos o quanto estamos perdidos no tempo à luz de quem nos ler daqui a 25 anos. Certamente se perguntará: como podia se viver com tanto primitivismo de ideias e de atitudes naquele tempo de 2018?
À medida que Otávio lia a sábia carta de duas folhas, senti-me profundamente incomodado de estar vivendo agora e de ser julgado como um idiota daqui a 25 anos. As discussões que vivemos hoje e que foram registradas na carta, mostram o quanto estamos pobres de ideias, de vivências e completamente sem respostas pra problemas tão pequenos de hoje. Entendi aquela carta como um testamento das nossas fragilidades como nação, como gente dessa nação e como habitantes de Mato Grosso.
Perguntas sobre assuntos banais que hoje emperram a nossa compreensão do mundo. Devo confessar que saí de lá bem diminuído. Não vou entrar no conteúdo da carta e permitir-me ficar só no seu espírito de indagações. Quem a ler no futuro certamente não compreenderá as nossas angústias atuais, mas compreenderá as nossas fragilidades civilizatórias.
Sugiro que o Senar divulgue a sua carta pro ano de 2043. Quem sabe nos ajude a raciocinar agora sobre as nossas incapacidades de vivermos bem no nosso tempo e, até, de complicar a construção do nosso próprio futuro.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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