Onofre Ribeiro
Nesta série de artigos a respeito do Brasil novo induzido por Brasília e está se construindo no coração do país, falamos no último sobre a ocupação humana da região.
É preciso resgatar essa compreensão porque o futuro do Brasil certamente será profundamente influenciado pelo que acontecer no centro do país. Brasília quebrou o isolamento do Centro-Oeste a partir de novembro de 1956 quando se iniciou a construção de Brasília. Era apenas um ponto perdido no meio do país. Inaugurada em 1960 gerou uma enorme mistura de gente vinda de todas as regiões em busca de um lugar ao sol, porque viviam num país rural e muito atrasado. Poucas oportunidades.
Brasília foi o primeiro ponto da expansão humana. A transferência da capital do Brasil para o Planalto Central começou a esvaziar o litoral e dar poderes ao coração nacional.
A partir de 1971, já sob o regime militar e governado pelo general Emilio Garrastazu Médici, o Sul enfrentava problemas sociais com os descendentes dos imigrantes europeus do século 19 e começo do século 20. Faltava terra e eles se tornaram sem-terra. De heróis a problema social. De outro lado, havia a necessidade proteger a Amazônia dos interesses estrangeiros crescentes, especialmente da França que liderava um movimento de tomar a região pra Europa.
Havia ainda o receio do socialismo soviético invadir a Amazônia e dominá-la. Militares temiam profundamente e o comunismo.
Iniciou-se, então, a ocupação da Amazônia sob o lema “Integrar pra Não Entregar”. Criaram-se muitos programas especiais, incluindo a divisão de Mato Grosso. A ideia era retirar o Sul do estado que já tinha boa infraestrutura e concentrar esforços direcionados ao Norte pra ocupar a Amazônia. Mato Grosso tinha 598 mil habitantes e 38 municípios em 1979. Hoje tem 141 municípios e 3.225 mil habitantes
Migrações intensas vieram de todas as regiões do Brasil pra o Centro-Oeste reforçando a colonização em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rondônia. Foi onde nasceu o novo Brasil de que tratam esses artigos desta série.
Não houve acasos. Os militares traçaram planejamento estratégico pra isso. Os passos seguintes seguiram o curso natural.
Quanto às mudanças do perfil da população pretendo tratar amanhã. Até lá.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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