Onofre Ribeiro
Pesquisa divulgada nesta sexta-feira sobre intenção de votos para 2018 ao governo do estado e ao Senado acende as luzes amarelas no Palácio Paiaguás. O governador Pedro Taques aparece razoavelmente bem avaliado. Isso só não basta para garantir-lhe a reeleição que ele deseja e não esconde. Não vou discutir aqui a pesquisa porque o tom do artigo é outro.
A gestão Pedro Taques patina numa imensa confusão de imagem. Melhor: de imagens. Começou em 2015 falando em “Transformação”. Colocou tudo na cesta da ética. Esgotou, embora tenha deixado um saldo bom de imagem. Depois vieram problemas específicos tipo RGA e uma série de outros. Embora resolvidos com alguma dificuldade, a gestão não decolou a imagem de um governo realizador. Os dados da pesquisa revelam o governo opaco. As “caravanas da transformação” não foram devidamente traduzidas e não incorporaram nas imagens, apesar de serem ótimo capital político.
Aqui paro a análise e volto no tempo pra uma situação didática vivida em 1998 pelo governador Dante de Oliveira. Parece-me muito apropriada no governo Pedro Taques. Dante encontrou o estado em péssima situação financeira acumulada desde a divisão do estado de 1979. Apesar da sua visão social e também transformadora, teve que fazer tudo ao contrário numa pesada reforma fiscal. Fechou o banco do estado, vendeu as centrais elétricas, fechou diversas companhias públicas e demitiu cerca de 10 mil servidores sem concurso. Um terremoto na época. Estado de economia pequena e muito dependente do serviço público.
Em 1998, Dante tinha um medo enorme de ir à reeleição porque sua imagem estava muito queimada. Foram necessários encontros regionais do PDSB nas principais cidades para animá-lo ir à disputa. O ambiente dentro do governo era de velório e de medo da opinião pública por conta dos “estragos” da reforma fiscal feita em 1997. Dante não se decidia. Convidou-se o publicitário Duda Mendonça pra opinar. Duda viu tudo e criou um conceito que definia o que acontecera e abria as portas do futuro: “CASA ARRUMADA. HORA DA VIRADA”. O governador e o governo compreenderam a extensão positiva da reforma fiscal e Dante saiu candidato. Reelegeu-se. Traduzindo: o governo não compreendeu o que fizera até que se construiu o conceito. A população entendeu direitinho a campanha de reeleição.
Tanto compreendeu, que Dante venceu dois gigantes da política coligados em 1998: Júlio Campos e Carlos Bezerra.
Ao governador Pedro Taques falta este conceito. Com ele, se subir 10% na aprovação de seu governo será seguramente candidato único. Sem conceito não sai da patinação atual. A sociedade compreende quando conhece. Só o marketing da divulgação formal não alcança esse patamar da compreensão popular. De posse do conceito Taques poderá restabelecer os seus laços iniciais de 2015 e reeleger-se. A situação de Dante em 1998 era muito pior.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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