Luciana Gaviglia
Em um passado não muito distante eu tecia criticas com quem deixava de votar, minha definição era direta, tratava-se de mais um analfabeto político! Com certeza, uma imensidão de votos nulos ou brancos, teria o poder de eleger democraticamente só mais um número? Não, claro que não, sairia caro, seria mais um parlamentar para sustentarmos, então, seriam cifras pesadas saídas do meu e do seu bolso. Então, a conta veio, e era de todos, tanto para quem escolheu seus ilustres representantes, ou se abstiveram deste exercício de cidadania.
Então, meu julgamento anterior, talvez elegesse a mim, como uma analfabeta política também. Isso logo foi esfregado em minha face, poucas eleições posteriores, sim, porque a maioria dos representantes que escolhi estava no poder. Então, perdoem a mim que “sabia votar” e cumprimentem com saudações calorosas os que eu considerava à margem da sociedade por escolherem ficar de fora deste mecanismo tão poderoso que pertence aos países mais elevados em suas esferas econômica, social e politica.
Sinto viver na era da desconstrução do aprendizado cívico, pois entendia que era nobreza emanar o meu poder a outro, sim o eleitor tem poder, é ele quem confere amplos direitos para quem chega lá, no topo, ou nas artérias da sustentação política. É o voto de quem se apresenta às urnas que decide o futuro, o rumo, os trilhos dos poderes constituídos, o legislativo e executivo.
Agora, percebo que nobreza mesmo também se traduz naquele que guarda seu poder, que se nega a entrega-lo a quem não merece, ou a este sistema contaminado. A este “analfabeto político”, digo hoje, iletrado politicamente falando é quem tem a certeza de que seu representante escolhido será fiel, e merece toda a sua confiança. Considero nobre e intelectualmente sábio e valoroso, quem deixa de levantar nomes como sendo os futuros Salvadores da Pátria, para exigirem, cobrarem e manifestarem a Reforma Política! E mais, nobre mesmo é se indignar e negar a permissão de endossar o alto custo da democracia.
E aqui me refiro aos R$ 3,5 bilhões do próximo pleito eleitoral, dinheiro que sairá da conta já naufragada do governo federal, ou seja, do meu e do seu bolso, sempre e sempre. Você hoje, que presencia ex-governadores presos, atuais e ex-deputados sendo expostos com manchas vergonhosas de corrupção, propina, esquemas criminosos dignos de sequências assombrosas da sétima arte, vai financiar mais uma vez quem no poder?
É a democracia é cara demais, custos exorbitantes, e a corrupção mais onerosa ainda, e mesmo assim, ela – a tal democracia ganha aportes infindáveis, claro, até porque quem a financia é quem trabalha, ou seja, eu e você. Como cidadã me sinto trapaceada, de novo e novamente. E até quando? Até quando permitirmos que a política permaneça sem virtudes. E, olha que a nossa amiga política foi criada sob um prisma ilustre, ou melhor, iluminado, nasceu no ideal iluminista de igualdade a todos. Mera piada, ou mero rascunho.
Na realidade mera desigualdade de medida das galáxias, pois nunca devemos esquecer que juntos, os 513 nobres deputados federais custam, em média, R$ 86 milhões ao contribuinte todo mês. Ou R$ 1 bilhão por ano. Para fugir mais ainda da dita “igualdade” entre eles e eu e você, bancamos o salário deles, auxílio-moradia, verba de R$ 92 mil para contratar funcionários, passagens aéreas. Ah, e ainda dois salários no primeiro e no último mês da legislatura como ajuda de custo e ressarcimento de gastos com médicos.
Está certo, você que é analfabeto político nem podia imaginar que conseguiria pagar tanta conta, né?. Pois é, mais ainda ela não acaba aqui, porque ainda não é contabilizado o custo da corrupção. Então, vai calculando aí, porque se não sabemos votar, ao menos vamos tentar aprender a somar. Somar mais para o Brasil, quem sabe, exigindo a reforma política, pra inicio de conversa, poderia ser para acabar com esta vida digna demais dos políticos, para quem só legisla em favor da sua própria conta bancária.
Luciana Gaviglia é Jornalista

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