Onofre Ribeiro
Falamos ontem neste espaço sobre a eventual volta dos militares ao governo no Brasil, nos moldes de 1964-1985.
Sem chances!
Bom traçar uma perspectiva histórica dos militares e a política brasileira. No Império eles já tinham muita influência política. Tanto que o proclamador da República foi o Marechal Deodoro da Fonseca e o segundo presidente o Marechal Floriano Peixoto. Durante a República Velha, que foi de 1889 a 1930, eles surgiram com força em 1922 no movimento Tenentista, que combatia a velha política de revezamento do poder político entre São Paulo e Minas.
Em 1930 os tenentes de 1922 estavam no apoio à Revolução de 1930 que trouxe Getúlio Vargas à presidência num golpe de Estado. Dali até 1945 com a queda de Getúlio, os militares participaram de conspirações políticas e de movimentos nacionalistas.
Finda a segunda grande guerra mundial, entre 1950 e 1953 a guerra da Coréia mostrou aos Estados Unidos que precisaria construir barreiras para evitar a expansão do socialismo muito manifesto na guerra, através da União Soviética e da China. De imediato os EUA decidiram proteger as Américas contra o socialismo no futuro.
Levaram jovens oficiais desses países para estudar em academias militares como Davenporth, nos EUA, onde estiveram, por exemplo, o futuro Marechal Humberto de Alencar Castello Branco e o general Golbery do Couto e Silva. Castello Branco foi o primeiro presidente militar em 1964 e Golbery o pensador do regime militar que governou o Brasil.
A ideia dos EUA era formar futuras lideranças militares em lideranças políticas para uma eventual necessidade futura. Isso aconteceu bem 1964 com a chamada Revolução de 1964. Aliás, na América do Sul toda, exceto a Venezuela. Todos tiveram golpes militares.
O que gostaria de dizer neste artigo é que os militares brasileiros se prepararam militar e politicamente para governar o país ao longo de 75 anos desde a proclamação da República.
Em 1985 deixaram o poder no Brasil desgastados e derrotados pelas sucessivas crises econômicas. Os governos petistas de Lula e Dilma fizeram um esforço enorme pra destruir a reputação militar. É assim que estão hoje os quartéis com seus oficiais construídos depois de 1985. Sem recursos, politicamente desmotivados e sem lideranças com olhar político. Tampouco articulação com a sociedade pra um movimento politico. O assunto continuará amanhã.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Exportações brasileiras para os EUA caíram 6,6% em 2025 após tarifaço
Volta às aulas e material escolar: Procon-MT alerta sobre direitos
TJ alerta: CNH definitiva só pode ser cassada após processo
Código de defesa do contribuinte ou do fisco?
Tribunal de Justiça: cancelamento de hospedagem gera indenização
Golpe do falso advogado: TJ barra descontos de empréstimo
Operação apreende mais de 540 kg de cocaína na fronteira
PC prende acusado de série de crimes contra motoristas de aplicativos
Ministro anuncia renovações automáticas de CNH para bons motoristas
Estudo aponta aumento de preço da cesta básica: mais de R$ 800