Onofre Ribeiro
Recebi contribuições iradas de gente ligada às corporações públicas que usam os recursos da nação. Mas recebi a quase totalidade de gente indignada. Está bem claro que as corporações que habitam o universo debaixo da sombra das gestões públicas, não entendem a sociedade atual. Digo sociedade, mesmo sabendo que somos apenas um enorme ajuntamento humano e não chegamos a construir uma sociedade com consciência da sua cidadania.
Os corporativistas se manifestaram pela manutenção dos seus “direitos conquistados”. Quem está de fora não os aprecia. Temos aí um elemento explosivo. Uma nação que se odeia entre si, sendo que a facção corporativa não compreende o seu papel e nem reconhece a existência da outra parcela de concidadãos que pagam impostos pra sustentá-la. Guerra ideológica. Perigosíssima!
Voltamos ao começo da nossa conversa no primeiro artigo desta série: as delações do ex-governador Silval Barbosa. Ele fatiou em “eventos” e entregou todo o sistema da gestão de negócios que vem conduzindo a gestão do estado, os projetos, os recursos, os cargos na estrutura de poder, os papéis na recepção e na distribuição dos recursos arrecadados nos impostos cobrados da população. Evito falar em sociedade. A população foi “colonizada” pelas corporações públicas. Sem exceção. Incluindo as universidades públicas que se beneficiaram de recursos públicos pra não educar a cidadania.
O ex-governador desmontou até agora o Poder Executivo, o Poder Legislativo, parte do Poder Judiciário (mas se sabe que o facão vai cortar fundo aí), o Ministério Público Estadual está apontado e vai surgir. O Tribunal de Contas com pecados de arrepiar.
O que sobrou? Pouco. Muito pouco. Resta uma estrutura de burocracia morta e ineficiente acobertada por seus direitos. Calada num silêncio constrangedor.
A nós o que nos resta depois das delações de Silval Barbosa? Lembro-me do hábito dos animais de lamber as suas feridas, assim definido: “uma lambida também pode ajudar a aliviar a dor. Lamber também retira detritos e outros contaminantes da ferida. Muitos animais costumam até fazer lambidas ´grupais´, para ajudar na cicatrização de machucados entre os membros de um grupo”.
E esperar o futuro...!
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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