João Edison
A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla (David Hume). No ultimo final de semana, 04 e 05 de agosto, estivemos (Onofre Ribeiro e eu) em Barra do Garças para uma conversa com jornalistas da região, em uma palestra intitulada “diálogos com a imprensa”, onde falamos sobre a linguagem das tribos urbanas e o uso das novas tecnologias. O evento aconteceu dentro do Projeto Caravana da Transformação, realizado pelo Governo do Estado.
No sábado 05, estivemos no complexo onde estavam sendo feitos o atendimento ao público e, dentre tantos, um fator me sensibilizou e chamou muito a atenção, que é a cirurgia de catarata. O número de pessoas impressiona. As condições econômicas das pessoas (que não possuem recursos para realizar no sistema privado), a alegria e os relatos impressionam. O secretário de Estado José Arlindo nos falou dos números: cerca de 25 mil cirurgias de catarata, só na Caravana da Transformação. Se colocássemos todos em um único município seria o vigésimo terceiro do estado em população. Isso equivale a uma cidade do tamanho de Jaciara ou Mirassol do Oeste.
Os relatos de alguns faz pensarmos na importância de voltar enxergar. São pessoas que um dia tiveram uma visão normal e hoje estavam enxergando através de uma cortina, ou apenas vendo sombras a sua frente. Daí vem a pergunta: Quanto custa um olhar? Onde estão estas pessoas que as estatísticas não mostram? Quantas ainda estão nestas condições? E onde está a eficiência do sistema público de saúde? São pessoas que estavam impossibilitadas de produzirem e que agora voltam às atividades corriqueiras, talvez ao mercado de trabalho, ou simplesmente ganharam em qualidade de vida.
Lembrando que a catarata apresenta-se, na maioria das vezes, como uma perda visual progressiva tanto para perto quanto para longe. Essa baixa de visão pode ser unilateral ou bilateral. O paciente pode queixar-se de perda de contraste das cores e troca frequente do grau dos óculos sem melhora da qualidade de visão.
Poder olhar o mundo, a vida de forma clara, fazer suas tarefas sem obstáculos é como ter um novo nascimento, pois influencia na autoestima e na projeção de expectativa de vida, diminuindo casos de depressão e até conflitos domésticos, uma vez que alguém por ora impossibilitado muitas vezes se torna mais impaciente diante das dificuldades, consigo mesmo e com as outras pessoas por se tornar dependentes de pequenas tarefas, como olhar a hora em um relógio, por exemplo.
Para estas pessoas que agora voltam a ver o mundo como antes vale a frase de Alfred Montapert: “O bom humor espalha mais felicidade que todas as riquezas do mundo. Vem do hábito de olhar para as coisas com esperança e de esperar o melhor”.
Impossível não reconhecer, através de quem já não distinguia os seus a distância se não pelo tom da voz e hoje, com a alegria de uma criança, poder ver as cores da vida com seus próprios olhos. Isso é um trabalho relevante que não pode parar. Daqui para frente tem que ser uma atividade de Estado, porque ninguém merece ver o mundo por trás de uma cortina.
João Edison é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso.

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