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06 Oct 2026 08:41

Eleições e o futuro

Eleições e o futuro
Crédito: Foto: Alair Ribeiro - Midianews
A eleição de 2026 traz mais de uma dezena de interpretações. Certamente marcará o fim de uma época iniciada depois de 1985 quando findou o regime militar.
 
Gostaria de me ater ao futuro. Tanto do Brasil internamente, quanto do Brasil em relação ao mundo. Antes do eleito no segundo turno governar a partir do ano que vem, é preciso traçar a sua governabilidade. Disso que este artigo tratará.
 
Vamos considerar as duas hipóteses de governabilidade. Se o presidente Lula se reeleger, ele vai enfrentar uma imensa crise que ele mesmo criou nestes quatro anos. Primeiro, ele estabeleceu sua governabilidade sobre o Supremo Tribunal Federal e ambos afogaram o Congresso Nacional no temor de punições. Sem Congresso, o presidente deixou de obedecer quaisquer regras de governabilidade porque o STF o protegeria de qualquer deslize ou questionamento. Foi o que se viu nos quatro anos.
 
Montado nessa garantia jurídica, Lula extrapolou o controle das contas públicas, dos investimentos e de toda a governabilidade esperada numa democracia. Num eventual próximo governo, ele terá que lidar com um STF recuado sob ameaça do novo Senado, e ameaçado de impedimentos de ministros pelos abusos continuados. Sem o STF ele terá que enfrentar um Congresso Nacional completamente hostil à esquerda. Porém, o pior será enfrentar o controle das contas públicas que, sabidamente, não é o seu desejo parar de gastar por conta de suas crenças ideológicas. Estamos falando de crise no começo, e caos na continuidade. Completa perda de governabilidade. É preciso levar em conta o eleitorado que demonstrou no primeiro turno um sentimento antipetista muito forte.
 
Se Flávio Bolsonaro se eleger, terá ligação facilitada com o Congresso, até porque ele é um senador experiente na lida com o parlamento. Estando o Senado hostil ao STF, e o STF recuado por medo de impedimentos sucessivos de ministros, a relação institucional lhe dará boa governabilidade.
 
Flávio encontrará contas públicas destroçadas. Precisará do Congresso para aprovar medidas urgentes de contenção. Não deverá ter dificuldades por conta da forte bancada de direita. Mas precisará tomar medidas administrativas muito duras e fazer grandes cortes numa série de pontos da gestão federal que certamente vão produzir sucessivas crises.
 
De novo uma boa relação com o Congresso ajudará na passagem dessas crises. Por último, havendo segurança jurídica o mundo voltará a investir no Brasil em grandes projetos de infraestrutura e na própria economia. Há uma crise econômica instalada no mundo inteiro e há um olhar para onde há segurança e expectativa para investimentos. O Brasil está nessa linha de frente. Sem contar que uma boa relação com os estados Unidos vai facilitar a lida com o restante do mundo, exceto as ditaduras conhecidas.
 
Tempos muitíssimos interessantes. E ponto pros eleitores que entenderam que o mundo está virando a página. 
 
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.
 
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