• Cuiabá, 03 de Abril - 00:00:00

Futebol brasileiro, momento diferente

  • Artigo por Alfredo da Mota Menezes
  • 28/09/2023 09:09:10
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                Tem fatos acontecendo no futebol brasileiro que chamam a atenção. O número de técnicos estrangeiros dirigindo times no Brasileirão é um deles. Dos 20 times tem 13 técnicos do exterior ou 65% do total. Nunca antes isso havia acontecido no futebol penta campeão do mundo.

                Argentinos e portugueses dominam o cenário. Os argentinos são Fabian Bustos (América), Jorge Sanpaoli (Flamengo), Juan Vovjoda, (Fortaleza), Eduardo Coudet (Internacional) e Ramon Diaz (Vasco).

           Os portugueses são sete: Renato Paiva (Bahia), Bruno Lage (Botafogo), Pedro Caixinha (Red Bull Bragantino), Pepa (Cruzeiro), Armando Evagelista (Goiás), Abel Ferreira (Palmeiras) e Antônio Oliveira do Cuiabá. Um do Uruguai, Diego Aguirre, estava no Santos até pouco tempo atrás. Logo vai estar em outro clube no país.

                Por outro lado, quais técnicos brasileiros estão no futebol pelo mundo? Praticamente nenhum. Até mesmo o Tite, treinador da seleção brasileira em duas Copas do mundo, não teve qualquer aceno para treinar um time no exterior.

               Por falar em Tite, qual o esquema de jogo que ele criou para a seleção brasileira nas duas Copas? Parece com aquela antiga piada de que o Vicente Feola, campeão do mundo em 1958, só distribuía a camisa para quem ia jogar e nada mais.

              Impressiona não ter, como tinha antes, nenhum treinador brasileiro em um time grande no exterior. Felipão, depois da Copa que ganhou e de treinar a seleção portuguesa, foi para o Chelsea da Inglaterra. Ficou pouco tempo, nunca mais ninguém do exterior o contratou. Vanderlei Luxemburgo teve uma passagem rápida pelo Real Madrid. Também Carlos Alberto Silva na Espanha e Lazaroni na Itália. Mas pelo menos se tinha treinadores brasileiros pelo futebol no mundo. Hoje nem um nome para destacar.

                 Tem uma tese antiga que dizia que o futebol brasileiro não tinha grandes treinadores porque havia grandes jogadores. Que o treinador brasileiro não se preocupava com tática ou esquema para sua equipe e por isso não dava certo na Europa.

                Se essa versão for aceita, ai é que não se verá técnicos brasileiros em outros grandes lugares do futebol. Que hoje, seja qual time for da Europa, a ênfase maior é no sistema tático.  Pepe Guadiola, por exemplo, que treinou grandes times e teve nos seus elencos grandes craques, é um adepto de táticas.

              Estão falando hoje uma palavra interessante, ocupacional. Que o importante é ocupar o campo. Não dá espaço para seus adversários. Frente a essa realidade a coisa vai se complicar ainda mais para treinadores do Brasil se aventurar em times europeus. Talvez seja por isso que o treinador da seleção brasileira vai ser um italiano, Carlo Anceloti. Coisa impensada anos atrás.

                Quer mais uma desse estranho momento no futebol do país? Se tem hoje 109 jogadores do exterior no Brasileirão. Representa 17% do total de jogadores. Outra? Quem é o grande nome no futebol nacional dos últimos anos que equipes da Europa comprou?

                Vemos horas de debates na mídia esportiva sobre tantos assuntos e praticamente nenhum sobre técnicos do exterior, número de jogadores de fora e poucos craques surgindo no futebol nacional. Momento bem diferente de outros tempos.

 

Alfredo da Mota Menezes é professor, escritor e analista político. 

E-mail: póx@terra.com.br    



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