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30 Nov 2022 07:55

Sente dor nas costas, vista cansada ou dificuldade para dormir. Esses são alguns sinais de que talvez você esteja abusando da tecnologia. Chamado de uso problemático de internet essa dependência é um problema atual.

Mas o que é uso problemático das telas?

Apesar da variação no nome, suas características podem ser entendidas como comportamentos de uso descontrolado de mídias interativas por meio de uma tela, que comprometam a função física, psicológica e social de um indivíduo.

Nos últimos anos, médicos do mundo todo vêm atendendo, em números cada vez maiores, crianças, jovens e idosos cuja a saúde foi afetada de inúmeras formas porque abusou do tempo de uso de smartphones, jogos ou internet.

As crianças e adolescentes estão especialmente em risco de desenvolver uso problemático, pois adotam com rapidez e facilidade a tecnologia, e porque ainda precisam desenvolver funções executivas do cérebro, como o controle dos impulsos, a autorregulação e o pensamento futuro.

Nos idosos é o incremento de acidentes como tombos, atropelamentos e demência que preocupa. Segundo uma pesquisa realizada pela Nielsen, os idosos estão mais obcecados por telas do que os jovens e tem passado muitas horas diárias em frente a tecnologias que antes eram predominantemente usadas pela juventude.

Se comparado o número de horas diárias consumidas nos dispositivos, incluindo, TV, smartphone, tablets e PC’s, os acima de 65 anos gastam quase 10h por dia em comparação à quase 8h dos jovens, comprovando que a faixa de idade sênior está cada vez mais imersa em tecnologia.

A pesquisa demonstra que  quando todas as telas são contabilizadas, as pessoas mais velhas aparecem mais viciadas. Apesar de muitos pais, mães, avôs e avós reclamarem da obsessão dos jovens por tela, esse dado mostra que não tem ninguém a salvo do abuso de telas.

Mas como podemos dizer que o outro abusa da tecnologia? Não podemos, quem faz esse diagnostico são profissionais da área de saúde. Porém há sinais no comportamento do outro que podem ser observados e alertados com cuidado.

São eles:

Preocupação com a Internet

Necessidade de aumentar o tempo conectado para ter a mesma satisfação

Esforços repetidos para diminuir o uso da rede sem sucesso

Inquietude ou irritabilidade quando o uso é restringido

Relações sociais em risco pelo uso excessivo

Mentir aos outros sobre a quantidade de horas conectadas

Usar a Internet como forma de fugir dos problemas ou para se sentir bem

Os tantos resultados adversos causados pelo abuso e dependência das telas podem ser facilmente identificados e envolvem, saúde física e saúde mental, como:

Dores na coluna, problemas oculares e até Infecções, sim, os smartphones podem agir como reservatórios de microrganismos ajudando a disseminar outras doenças.

Dificuldades relacionadas ao sono são considerados um elemento-chave para a aprendizagem e a memória, bem como para a regulação emocional. Um cérebro que não descansa o corpo padece.

Embora as telas sejam usadas como ferramenta de comunicação, seu uso excessivo faz os indivíduos se tornarem dependentes e isolados. Isso causa redução do desempenho acadêmico e profissional em função do estimulo a comportamentos multitarefas para  interagir frequente com a própria tela.

Mas o que os pais podem fazer para ajudar? Como as empresas pode informar? Como alertar a sociedade sobre os riscos que estamos assumindo em não se desconectar em algum momento?

A máxima de estabelecer regras de uso saudável e consciência sobre os males do abuso das telas é o principal. Mas dar exemplo sobre uso consciente, remover as telas em caso de dependência e notificar sobre comportamento problemático no trabalho é uma função de todos.

 

Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia no Belicosa.com.br

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