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30 Jun 2026 09:50

Dos Estados Unidos a Mato Grosso: lições para o Plano Estadual de Fertilizantes

Dos Estados Unidos a Mato Grosso: lições para o Plano Estadual de Fertilizantes

A segurança alimentar mundial passa, cada vez mais, pela segurança no abastecimento de fertilizantes. As recentes crises internacionais evidenciaram a dependência brasileira de insumos importados e reforçaram a importância de estratégias nacionais e estaduais voltadas à produção, inovação e uso eficiente de fertilizantes.

Nesse contexto, Mato Grosso deu um passo importante com a instituição do Plano Estadual de Fertilizantes, Insumos para Nutrição de Plantas e Bioinsumos, por meio da Lei Estadual nº 12.777/2024. Trata-se de uma agenda estratégica para um Estado que responde por cerca de um quarto da produção brasileira de grãos e consome aproximadamente 23% dos fertilizantes utilizados no país.

Mais do que grande consumidor, Mato Grosso reúne condições para ser protagonista na geração de conhecimento, inovação e tecnologias voltadas à agricultura tropical.

Foi com essa visão que realizamos uma missão técnica aos Estados Unidos, ao lado do professor Milton Ferreira de Moraes, da UFMT – Campus do Araguaia, e da Secretária Adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia da SEDEC-MT, Linacis Lisboa. A missão integrou as atividades do projeto de planejamento do Hub do Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CEFENP) em Mato Grosso.

Na North Carolina State University e no Departamento de Agricultura da Carolina do Norte, conhecemos um modelo eficiente de integração entre pesquisa científica, extensão rural e setor produtivo. Também tivemos acesso a um avançado sistema estadual de mapeamento de solos, ferramenta que orienta decisões sobre fertilidade e manejo, contribuindo para maior eficiência técnica, econômica e ambiental nas propriedades rurais.

No Alabama, visitamos o International Fertilizer Development Center (IFDC), referência mundial em pesquisa e inovação em fertilizantes. O instituto reúne pesquisa, ensaios agronômicos, análises econômicas, desenvolvimento tecnológico e produção piloto de fertilizantes, demonstrando como a aproximação entre ciência e mercado acelera a inovação.

Encerramos a missão na Auburn University, onde conhecemos o experimento Old Rotation, iniciado em 1896, um dos mais antigos estudos agrícolas contínuos do mundo. A experiência demonstra que grandes avanços na agricultura são resultado de pesquisa consistente, visão de longo prazo e continuidade institucional.

A principal lição da missão foi perceber que esses modelos não se destacam apenas pela qualidade de seus laboratórios. O diferencial está na integração entre universidades, governo, empresas e produtores, transformando conhecimento científico em soluções concretas para o campo.

É justamente essa a proposta do Hub do CEFENP em Mato Grosso: não copiar modelos estrangeiros, mas adaptar experiências bem-sucedidas à nossa realidade, fortalecendo a pesquisa aplicada, a cooperação internacional, a inovação e a transferência de tecnologia para o setor produtivo, em sintonia com o Plano Estadual de Fertilizantes.

A missão também permitiu apresentar Mato Grosso às instituições visitadas. O porte do nosso agronegócio, a capacidade científica das universidades e o potencial de desenvolvimento do Estado despertaram interesse e abriram perspectivas para futuras parcerias em pesquisa, inovação e formação de recursos humanos.

O Plano Estadual de Fertilizantes será bem-sucedido não apenas com investimentos industriais, mas também com investimentos em ciência aplicada, pessoas, inteligência territorial e inovação. Nesse aspecto, Mato Grosso reúne condições únicas para liderar essa agenda.

A maior potência agrícola do Brasil tem agora a oportunidade de tornar-se também uma potência em ciência, tecnologia e inovação para fertilizantes, bioinsumos e nutrição de plantas. Essa talvez tenha sido a principal lição que trouxemos dos Estados Unidos.

 

Prof. Dr. Lucas Oliveira de Sousa, PhD em Ciências Agrícolas pela Universität Hohenheim, Alemanha, professor da UFMT, especialista em agronegócio e internacionalização.

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