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17 Oct 2026 13:38

Dia do Médico: a hora de ocupar o nosso sindicato

Dia do Médico: a hora de ocupar o nosso sindicato
Crédito: Foto: Assessoria

Todo 18 de outubro, o médico recebe homenagens de pacientes e amigos. Recebe também as de gestores públicos que, no restante do ano, mantêm fechadas as portas da negociação. Agradecemos o afeto, mas o médico de Mato Grosso precisa de mais do que homenagens: remuneração justa, respeito profissional e condições dignas de trabalho.

Conhecemos bem essa rotina. O colega emenda plantões em diferentes cidades para fechar o mês. O especialista, depois de até dez anos de formação, acaba contratado como pessoa jurídica, sem segurança trabalhista ou perspectiva de aposentadoria digna. A médica grávida precisa recorrer à Justiça para ter respeitados os direitos da maternidade. O repouso acontece em salas improvisadas, enquanto o esgotamento físico e emocional se torna cada vez mais frequente entre os colegas.

Há também o desrespeito explícito. Em Várzea Grande, uma lei municipal pretende controlar o médico por biometria e geolocalização, como se fosse necessário colocar uma tornozeleira eletrônica em quem salva vidas. Outras formas de assédio se escondem em metas baseadas numa falsa noção de produtividade, que transforma pacientes em números e coloca a qualidade do atendimento em segundo plano.

Em Cuiabá, a Prefeitura chegou a assumir compromisso judicial de realizar concurso público para a saúde. O concurso foi aberto em 2022, mas médicos do cadastro de reserva ainda aguardam convocação, enquanto processos seletivos e terceirizações se perpetuam nas escalas, comprometendo a construção de uma carreira digna. O prefeito Abilio Brunini não estabelece diálogo com a categoria nem dá andamento ao projeto do novo Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), já apresentado pelo Sindimed-MT. O Governo do Estado e prefeituras de municípios-polo também seguem sem receber o sindicato para discutir carreira, remuneração e condições de trabalho.

Por que tantos gestores se dão ao luxo de ignorar quem sustenta o sistema de saúde? Porque medem a nossa força antes de abrir a porta da negociação. E a força de uma categoria se mede pela sua capacidade de organização, participação e representação sindical.

Várzea Grande é um exemplo. Depois de mais de dez anos de espera, os servidores da saúde negociaram e conquistaram um novo PCCS, sancionado neste mês. Categoria organizada é categoria ouvida.

O Sindimed-MT já demonstrou o que a mobilização pode alcançar. Em 2022, levou ao Ministério Público denúncias de irregularidades na saúde de Cuiabá. A representação contribuiu para o processo que resultou na intervenção estadual determinada pelo Tribunal de Justiça. Foi uma demonstração de que a atuação sindical pode ultrapassar a defesa dos direitos profissionais e alcançar a própria qualidade da assistência prestada à população.

Por isso, neste Dia do Médico, nosso chamado vai além das homenagens. Filie-se ao Sindimed-MT. Leve ao sindicato as denúncias do seu plantão. Participe das assembleias, porque quem se ausenta deixa que outros decidam por ele. Converse com os colegas e traga para a entidade aquele médico que trabalha ao seu lado e enfrenta os mesmos problemas.

O sindicato não é um prédio, uma diretoria ou apenas uma instituição. É cada médico que decide ocupar o espaço que lhe pertence. Ao se filiar, você deixa de enfrentar sozinho as decisões dos gestores e passa a fortalecer uma voz coletiva na mesa de negociação. Isolados, somos mais vulneráveis. Organizados, temos força para exigir respeito e conquistar direitos.

O médico passa a vida cuidando de todos. Está na hora de cuidarmos uns dos outros. Que o 18 de outubro não seja apenas uma data de homenagens, mas também de consciência e mobilização. Porque homenagem passa; direito conquistado fica.

Feliz Dia do Médico!

Adeildo Lucena é médico de família e presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed-MT). CRM-MT 2594. RQE 1735.

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