Justiça em Foco
29 Sep 2026 09:29

Banco de voz: uso de IA orienta eleitor e ajuda no combate à desinformação

Banco de voz: uso de IA orienta eleitor e ajuda no combate à desinformação

A eleitora e o eleitor agora podem tirar dúvidas e acessar informações sobre as Eleições 2026 por meio de comando de voz. A ferramenta é uma das principais novidades do ChatVote, o assistente virtual da Justiça Eleitoral já disponível no e-Título e no Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

O novo recurso foi desenvolvido a partir de um acordo firmado entre o Tribunal e a empresa de tecnologia ElevenLabs, uma das principais plataformas globais especializadas na geração de voz por inteligência artificial. O acordo também prevê a identificação de áudios manipulados gerados na plataforma e o bloqueio preventivo de vozes protegidas reunidas em um banco de voz. 

A parceria amplia o acesso às informações eleitorais para públicos que enfrentam barreiras no uso de interfaces tradicionais, como pessoas com deficiência visual, idosos e cidadãos com baixo letramento digital. A proposta é justamente reduzir a necessidade de navegar exclusivamente por ferramentas de texto, permitindo uma interação baseada em voz. 

Integrada aos canais digitais do TSE, a tecnologia permite uma interação mais natural por voz. “A contribuição da ElevenLabs está em oferecer a camada de tecnologia de voz que torna essa interação mais acessível”, explica o representante da ElevenLabs, João Paulo Rio Branco. 

Vozes protegidas 

A tecnologia da ElevenLabs é desenvolvida para lidar com 70 idiomas e diferentes formas de expressão. Em parceria com o TSE, a empresa mantém ainda um banco de vozes protegidas de figuras públicas indicadas pela Justiça Eleitoral, como candidatas e candidatos registrados e servidores. Durante o período eleitoral, essas vozes não poderão ser utilizadas em nenhum tipo de conteúdo. 

Para alimentar esse sistema, foi criado um mecanismo seguro para que os partidos políticos e os tribunais regionais eleitorais (TREs) enviem uma amostra de áudio, que varia de 4 a 5 minutos, da voz a ser protegida. A atualização do banco de voz é permanente. 

Com os dados cadastrados, a empresa consegue identificar áudios falsos, as chamadas deepfakes. “Assim, quando alguém tenta criar um clone de uma dessas vozes na plataforma, o sistema verifica a proteção e impede a criação automaticamente, agindo antes que o conteúdo seja gerado”, explica o representante da empresa. 

A medida funciona de forma preventiva. Em vez de tentar diferenciar tecnicamente uma paródia, uma sátira ou um uso malicioso no momento da clonagem, as vozes protegidas ficam indisponíveis para clonagem durante o período eleitoral. 

“Isso é importante porque, no momento em que alguém tenta criar um clone de voz, não é necessariamente possível saber qual será a finalidade daquele áudio ou de que forma ele poderá ser utilizado”, afirma João Paulo. “É uma camada adicional de proteção e transparência para o processo eleitoral, reduzindo o risco de que essas vozes sejam utilizadas para criar conteúdos que possam gerar confusão ou desinformação”, diz. 

Identificação de conteúdos  

A parceria também prevê mecanismos para identificar a origem de conteúdos de voz gerados com a tecnologia da empresa. 

Entre os recursos utilizados estão o AI Speech Classifier, que permite verificar se determinado conteúdo foi gerado com a tecnologia de voz da ElevenLabs, e a marca d’água digital, incorporada aos conteúdos gerados e que pode auxiliar na identificação da origem do áudio mesmo após algumas alterações, como cortes ou compressão. 

“É a combinação dessas tecnologias que nos permite ter mais segurança e rastreabilidade sobre os conteúdos gerados na plataforma”, declara João Paulo. “Isso nos permite monitorar e responder a diferentes tipos de uso da plataforma”, afirma. 

Da Comunicação TSE

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