Editorial
24 Sep 2026 12:23

Eleições e o caos na saúde pública

Eleições e o caos na saúde pública

A crise na saúde pública, ponto constante de debates entre candidatos nas Eleições 2026 e nos Planos de Governo, ganhou novos contornos nesta semana, após o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) determinar a "interdição ética da UTI Pediátrica e Neonatal do Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande".

Nesse cenário, os discursos de campanha e propostas - principalmente entre os candidatos que lideram recentes pesquisas na corrida ao comando de MT, Wellington Fagundes (PL) e Otaviano Pivetta (Republicanos) ganham tom mais categórico de questionamentos.

Ocorre que União, Estados e municípios devem - obrigatoriamente destinar os devidos percentuais à área da saúde pública.

A procura pelo atendimento no SUS é o único caminho para quem não pode pagar um plano particular - e a fila? É de chorar para quem precisa. 

Casos urgentes muitas vezes vão parar na esfera judicial ou simplesmente não há tempo suficiente - e parte uma vida...

Do ponto de vista dos investimentos do Estado e promessas para mudar essa triste realidade - o retrato na ponta de Mato Grosso é de "pedido de socorro" para um flagrante caos- leia-se esse quadro em VG. 

E não é um episódio isolado - bastando conferir como funciona na prática o atendimento do SUS nos municípios à população, o pobre...

Dados 

Nessa seara, em se tratando dos principais candidatos à chefia do Executivo estadual - segue informações disponibilizadas pela assessoria do candidato ao Governo de MT - Wellington Fagundes (PL) - com compilado de dados que chama atenção:

A interdição ética da UTI Pediátrica e Neonatal do Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande, determinada pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) por falta de médicos, expõe a distância entre o discurso do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e os problemas enfrentados diariamente pela população.

A unidade foi impedida nesta quarta-feira (23) de receber novos pacientes após fiscalização constatar insuficiência de profissionais na escala médica. A situação também contrasta com a resposta dada por Pivetta na sabatina promovida ontem pelo próprio CRM-MT. Questionado sobre concursos para médicos, o governador afirmou que o Estado deve priorizar a administração de contratos e disse que concurso será realizado “se necessário”.

“Nesse momento, nós estamos contratualizando”, declarou. O episódio de Várzea Grande, porém, mostra que a falta de profissionais continua afetando diretamente o funcionamento de serviços de alta complexidade. O contraste fica ainda mais evidente quando se observa o tamanho da demanda do SUS em Mato Grosso.

Dados do Portal Transparência da Regulação, alimentado diariamente pela Secretaria de Estado de Saúde, apontam 865.575 pacientes aguardando consultas, exames e procedimentos. São 333.388 pessoas na fila por consultas, 429.027 por exames e outros pacientes aguardando internações e procedimentos. A espera média chega a um ano e dois meses, com casos que ultrapassam 13 anos.

Na sabatina, entretanto, Pivetta afirmou que o tempo médio de espera teria caído de cerca de 90 para 21 dias. A declaração não esclareceu qual recorte da fila está sendo considerado nem como esse número se relaciona com os 865 mil pacientes registrados na Regulação estadual. O próprio sistema oficial informa que organiza o acesso a consultas, exames e procedimentos em Mato Grosso.

O discurso sobre a qualidade dos hospitais também merece ser confrontado com indicadores nacionais. Pivetta já classificou o Hospital Central de Mato Grosso como “o maior e melhor hospital público do país”.

Entretanto, no ranking Melhores Hospitais Públicos do Brasil 2026, elaborado pelo IBROSS em parceria com instituições como OPAS/OMS, Conass e Conasems, o Hospital Central de Mato Grosso não aparece entre os dez primeiros colocados. A lista avaliou hospitais 100% SUS considerando critérios como qualidade assistencial, eficiência, segurança e satisfação dos pacientes.

O cenário coloca uma questão objetiva para o debate eleitoral: enquanto o governador apresenta a saúde como uma área em evolução, uma UTI é interditada por falta de médicos, 865 mil pessoas permanecem nas filas do SUS e o principal hospital público apresentado pelo governo como referência nacional não figura entre os dez primeiros do ranking nacional de 2026. Os números mostram uma realidade mais complexa do que a apresentada nas falas de Pivetta.

 

Em tempo - Espaço aberto para eventuais manifestações à cargo do governador e adversário nas Eleições, Otaviano Pivetta (Republicanos).  

 

A disputa ao Governo de MT - Eleições 2026 - conta ainda com os demais candidatos:

  • Doutora Natasha (PSD)
  • Sargente Laudicério (AGIR)
  • Mauricio Coelho (Mobiliza)
  • Rafaell Milas (Missão) 
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