Jose Carlos Dorte
Caro leitor, proponho uma provocação neste texto para que você possa buscar a paz de espírito e equilibrar as finanças. Em princípio é muito desafiador, no entanto, é necessário entender como uma ou outra questão poderá desequilibrar, ou ajudar sua vida.
Em um mundo de constante agitação e incerteza, a busca pela paz interior e pela estabilidade financeira se torna uma jornada fundamental. A filosofia estoica, com sua ênfase na ataraxia da imperturbabilidade da alma, oferece um farol de tranquilidade. No livro “A Arte de Viver”, o filósofo Sêneca nos oferece muitas dicas tais como: viver conforme a natureza, foco no que pode ser controlado, preparação para as adversidades, uso correto do tempo, desapego e moderação.
No entanto, para o indivíduo moderno, essa serenidade é frequentemente desafiada por duas esferas críticas: a espiritual e a financeira. A verdadeira ataraxia, portanto, reside na harmonia dessas duas dimensões. A ataraxia espiritual é o estado de calma que advém do autoconhecimento, da aceitação do que não podemos mudar e da dedicação às nossas virtudes e valores.
Não se trata de alienação, mas sim de uma profunda resiliência emocional. É a capacidade de navegar pelas tempestades da vida — perdas, desapontamentos ou críticas–sem que o nosso núcleo interior seja abalado. Isso se constrói por meio de práticas como a atenção plena, ou seja, conhecer-se para possuir-se (mindfulness), a gratidão e a reflexão sobre o nosso propósito.
Contudo, a serenidade do espírito encontra um obstáculo real na ansiedade material. O peso das dívidas, a incerteza do futuro e a constante pressão social por consumo podem corroer até o mais firme dos espíritos. É aqui que entra a ataraxia financeira, que pode ser definida como a tranquilidade que se obtém ao ter controle sobre suas finanças, de modo que o dinheiro se torne uma ferramenta para a vida, e não uma fonte de estresse.
A verdadeira ataraxia, a intersecção ideal, não exige riqueza extrema, mas sim suficiência e controle, o caminho para a harmonia. Alcançar essa paz em dupla exige uma abordagem estratégica e filosófica.
Para o espírito, qual é o seu “suficiente” de realizações: bens ou status? Defina o que realmente importa (família, saúde, propósito) e descarte o excesso de ambição que gera stress. Financeiramente, isso significa definir um padrão de vida realista, criar um fundo de emergência robusto e planejar a aposentadoria para cobrir suas necessidades básicas. A suficiência é o antídoto para a inveja e a ganância.
No campo espiritual, a intenção se manifesta em como você gasta seu tempo e energia — investindo em relacionamentos significativos e atividades que nutrem a alma. No financeiro, a intenção se traduz em um orçamento detalhado. Cada real gasto deve estar alinhado com seus valores. O orçamento não é uma restrição; é a sua declaração de liberdade.
A filosofia estoica ensina a aceitar o que não podemos controlar. Espiritualmente, isso é a aceitação da morte, da doença ou da traição. Financeiramente, é a aceitação de que o mercado oscila, o emprego pode ser perdido e imprevistos ocorrem. A ataraxia financeira vem da mitigação (seguros, diversificação, poupança) e não da ilusão de controle total.
Esta é talvez a lição mais crucial. A sua identidade e valor pessoal não podem estar atrelados ao seu saldo bancário ou aos bens que você possui. A paz espiritual reside na sua virtude e caráter, não na sua folha de pagamento. Quando o dinheiro se torna somente uma ferramenta — e não um definidor de quem você é — a ansiedade financeira perde grande parte de seu poder.
A busca pela ataraxia espiritual e financeira é, em essência, a busca por uma vida bem vivida. É a disciplina de alinhar o que você valoriza, o que você faz e como você sustenta sua existência.
Ao equilibrar a riqueza interior com a segurança material, o indivíduo não somente encontra a paz, mas também se liberta para contribuir de forma mais significativa e imperturbável para o mundo. Sobrará tempo, inclusive, para você fazer alguma prestação de serviço social a alguma entidade filantrópica, que nada mais é que a generosidade, um elemento essencial para o ser humano.
Jose Carlos Dorte é contador e empresário.

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