Luciano Vacari
Na lenda do Rei Arthur, a mesa redonda é o símbolo universal de encontro, diálogo e compartilhamento, onde independentemente do contexto, os cavalheiros se sentavam para buscar soluções para seus problemas ou objetivos comuns, e todos os participantes ocupam posições equivalentes e sem hierarquias aparentes, já que esse arranjo físico facilita a troca de ideias e a construção de consensos, elementos fundamentais para alcançar os melhores resultados possíveis, e manda um recado claro, o da igualdade.
Um dos princípios mais importantes ao se sentar à mesa é a disposição para ouvir e negociar, afinal quando indivíduos com pensamentos diferentes se reúnem, é natural que surjam divergências. No entanto, a intolerância pode bloquear o progresso, enquanto a abertura ao diálogo permite que cada parte expresse suas perspectivas e, juntas, encontrem um caminho viável, pois a busca pelo consenso não significa abrir mão de convicções, mas sim reconhecer que a colaboração leva a resultados mais eficazes do que a imposição unilateral de ideias.
A igualdade na mesa é outro fator essencial. Quando todos se sentem respeitados e ouvidos, a probabilidade de chegar a um acordo satisfatório aumenta significativamente, mas isso não implica que todas as opiniões tenham o mesmo peso em todas as situações, mas sim que cada participante teve a oportunidade de contribuir. Em ambientes onde há hierarquias rígidas, a mesa deve servir como um equalizador temporário, permitindo que vozes menos ouvidas ganhem espaço, sendo ouvidas pelas mais poderosas.
Mas negociar sem intransigência exige maturidade e empatia, sendo preciso entender que os objetivos nem sempre são idênticos, mas podem ser convergentes. Por exemplo, em uma negociação salarial, empregadores e funcionários têm interesses distintos, mas ambos desejam a sustentabilidade da empresa. Encontrar o equilíbrio entre essas necessidades é o desafio central. A rigidez de posições pode levar a conflitos prolongados, enquanto a flexibilidade inteligente abre portas para soluções criativas.
O melhor resultado muitas vezes surge justamente da diversidade de pensamentos justamente quando pessoas com experiências e visões diferentes colaboram, as soluções tendem a ser mais abrangentes e inovadoras. A mesa, nesse sentido, funciona como um catalisador de ideias, onde o debate saudável transforma divergências em oportunidades. O consenso não é sinônimo de unanimidade, mas de um acordo que, mesmo não sendo perfeito para todos, é aceitável e viável.
Mas afinal, o que o Rei Arthur queria? O uso da espada ou um lugar de diálogo que reforça valores fundamentais para qualquer sociedade ou organização: respeito, cooperação e busca pelo bem comum.
Seja em pequenos grupos ou em grandes assembleias, a igualdade, sabedoria, paciência e capacidade de articulação é o que permite avanços significativos. Quando esses princípios são seguidos, os resultados tendem a ser mais justos, duradouros e benéficos para todos os envolvidos.
Mais um espaço simbólico, ela lembra que, mesmo em meio a discordâncias, é possível construir entendimentos quando há disposição para o diálogo, respeito mútuo, e principalmente, sem vetos. Afinal estamos no mesmo barco ou na mesma tempestade?
*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.

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