Luciano Vacari
O consumo consciente está cada vez mais presente no dia a dia de bilhões de habitantes mundo afora. Seja quando se escolhe um carro elétrico ao invés de um 8 cilindros a gasolina, seja na escolha de fibras, grãos ou proteínas, o fato é que mais e mais pessoas estão preocupadas com a fonte de seu consumo diário, com a qualidade e com a origem de seus alimentos.
O Brasil, por exemplo, em 2001 criou o SISBOV – Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina, garantindo aos consumidores a procedência daqueles animais que aderiram ao sistema, que não é obrigatório. Mais recentemente, a China, hoje nosso maior comprador de proteína animal, impôs regras que vão desde o limite de idade de abate até a rastreabilidade para os animais.
Mas talvez o melhor exemplo disso seja a Europa. Lá os consumidores estão cada vez mais engajados em alimentos, fibras e energia cada vez mais sustentáveis. Saber de onde ele veio, é o passo número 1. E não fica por aí, querem alimentos livres de hormônios e antibióticos, com boas práticas de produção, respeito ao meio ambiente e equidade social.
E antes que alguém pergunte, vamos antecipar. E estão dispostos a pagar por isso?
Parece que sim. E a saída são os protocolos privados, que como o próprio nome já diz, são acordos entre partes que são garantidos por auditorias de 3ª parte e validados pelo Ministério da Agricultura, o MAPA. Percebem o tamanho da nossa oportunidade?
Oportunidade? Sim, afinal somos os maiores produtores de alimentos, fibras e energia do mundo, e já produzimos, em sua imensa maioria, dentro das condições que o consumidor mundial quer. Temos aqui o melhor código florestal do planeta, o que faz com que os produtores mantenham em suas propriedades áreas de preservação e protejam as encostas dos rios. Ainda, nosso sistema de produção é modelo para todos, e até motivo de inveja. E o que dizer do nosso controle sanitário? Um dos melhores do mundo, prova disso é que acabamos de receber, em Paris, e em menos de uma semana, 2 vezes o prêmio de área livre de aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal – OMSA.
Mas fica uma pergunta, por que alguns relutam tanto em demonstrar nossas boas práticas e a origem direta e indireta dos animais? Isso deveria fazer parte da transparência do processo, da produção ao comércio, e todos só têm a ganhar com isso, ou pelo menos quase todos. Os únicos que teriam algo a perder com a transparência seriam aqueles que ganham dinheiro na água turva.
Aqueles produtores que não mantêm o devido controle sanitário em suas propriedades, que não oferecem condições dignas de trabalho aos seus colaboradores, que desrespeitaram as regras ambientais brasileiras, esses sim, teriam muito a perder! E nada mais justo não, afinal por que premiar o ilegal?
No final de 2024 o governo federal anunciou o PNIB – Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, que tem como objetivo identificar individualmente todo o rebanho bovino e bubalino do Brasil. Mais recentemente, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura que é um movimento composto com mais de 400 representantes da iniciativa privada, setor financeiro, academia e sociedade civil, divulgou um estudo trazendo a importância de se demonstrar a origem direta e indireta da pecuária nacional, inclusive propondo a interação entre a guia de trânsito animal e o cadastro ambiental rural, o que seria uma importante ferramenta de mitigação de risco sanitário, afinal teríamos a origem territorial e da movimentação animal.
O fato é que temos todas as condições de nos tornarmos protagonistas na produção sustentável de alimentos. As ferramentas já existem, os controles já existem, e principalmente, o modelo produtivo já existe. Só precisamos mostrar de onde veio!
*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.

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