Gonçalo Antunes de Barros Neto
A questão da existência de Deus é uma das mais antigas e persistentes da história. Desde a Antiguidade até os dias atuais, filósofos, teólogos e cientistas têm debatido intensamente sobre a possibilidade, a necessidade ou a ausência de uma divindade criadora, consciente e ativa no universo.
Para facilitar a compreensão, opta por agrupá-las em três grandes blocos: argumentos a favor da existência, argumentos contra e posições céticas ou intermediárias.
Nos argumentos a favor da existência de Deus, tem-se em primeiro o argumento ontológico, de Anselmo de Cantuária – Século XI, que parte da ideia de que Deus é “aquilo de que nada maior pode ser concebido”. Segundo ele, se podemos concebê-lo, então ele existe — pois existir na realidade é maior do que existir apenas na mente. Seu raciocínio é puramente lógico e abstrato. Esse argumento foi reformulado por filósofos modernos como Descartes e Leibniz.
O segundo argumento é o cosmológico, de Tomás de Aquino, que afirma que tudo o que existe tem uma causa, e, considerando que não pode haver uma regressão infinita de causas, logo, deve haver uma “causa primeira não causada”, que é Deus. Essa teoria é baseada no princípio da causalidade e na necessidade de um fundamento para a existência do universo.
O terceiro é teleológico ou do desígnio, de Paley (analogia do relojoeiro) e Newton, por exemplo, em que a complexidade e a ordem do universo são interpretadas como sinais de um Criador inteligente. O ajuste fino das leis da natureza, a beleza da vida e as condições para a existência humana indicariam uma mente por trás do cosmos. Embora enfraquecido pela teoria da evolução, esse argumento é ainda usado por pensadores do “design” inteligente.
Kant articula o quarto argumento a favor da existência de Deus. Ele o denomina de argumento moral e sustenta que a existência de um sentido moral universal, presente em diferentes culturas e tempos, aponta para um legislador moral supremo. Segundo ele, a razão prática exige que se creia em Deus como garantia da justiça e da realização do bem.
Quanto aos argumentos contra a existência de Deus, o primeiro é o do problema do mal. Talvez o mais forte argumento ateísta: se Deus é onipotente, onisciente e bom, por que existe tanto sofrimento e mal no mundo? Filósofos como Epicuro e, mais tarde, David Hume argumentaram que o mal é incompatível com a ideia de um Deus perfeito.
Nesta quadra, outro argumento é o da ausência de evidências. Para o empirismo moderno, como o de Bertrand Russell e Richard Dawkins, a crença em Deus carece de provas empíricas e deve, por isso, ser rejeitada ou suspensa. Dawkins chegou a comparar a fé em Deus à crença em fadas ou duendes: “sem provas, são igualmente improváveis”.
E o argumento mais conhecido é o da hipótese da evolução e do naturalismo científico. A teoria da evolução, a física moderna e a cosmologia oferecem explicações naturais para a origem da vida, da consciência e do universo, dispensando a necessidade de um Criador. Esse é o fundamento do naturalismo ateu contemporâneo.
Consideram-se, também, as posições intermediárias, como o agnosticismo (Huxley), deísmo (Voltaire – relojoeiro cósmico), panteísmo (Espinosa) e panenteísmo.
Para uns, Deus é a fonte da ordem, da moral e da existência. Para outros, é uma hipótese desnecessária. Entre os dois polos, muitos optam pela dúvida, pelo silêncio ou pela fé vivida sem provas. Seja qual for a posição, a pergunta permanece viva (Deus existe?) porque toca o núcleo da condição humana: o desejo de compreender o sentido da vida e do universo.
É por aí...
Gonçalo Antunes de Barros Neto tem formação em Filosofia, Sociologia e Direito. É do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso – IHGMT.

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